1851. Um homem morre no Rio de Janeiro. Deixa um manuscrito que, desde as primeiras palavras «Tinha catorze anos e não sabia quem era» – nos mergulha no mistério. Este homem é Pedro da Silva.
E a história da sua vida começa, logo após o seu nascimento, com o aparecimento de um padre vigilante que o salva das mãos de um assassino contratado. A partir daí, irá cruzar-se com muitos personagens extravagantes que parecem, cada um deles, esconder uma história que leva ou chega a Pedro e às suas origens, ajudando-o a encontrar a sua verdadeira identidade.
De entre eles, uma condessa, femme fatale roída pelo ciúme e sedenta de vingança; um padre justiceiro, que se redime de uma juventude de libertinagem, metamorfoseando-se, ora em cigano mercador de cavalos, ora em poeta romântico, sempre para vir em auxílio da viúva e do órfão; um assassino profissional tornado próspero e magnânimo homem de negócios, depois de ter sido um pirata sanguinário; uma vendedora de bacalhau que astuciosamente envenena o amante, um monsenhor libidinoso, desembaraça-se do companheiro, que a ajudara a cometer tal perversidade e vende os encantos da própria filha, antes de se tornar santa em jeito de redenção .
Uma história universal, repleta de paixões, duelos, perigos mortais, negócios tenebrosos que parte de uma época histórica de Portugal até um dos períodos mais ricos da Europa, no início do século XVIII.
de Camilo Castelo Branco


