Exposição ‘As mulheres de Camilo’ no Bom Jesus do Monte

A Confraria do Bom Jesus do Monte inaugurou hoje, às 18h00, na Casa das Estampas, a exposição ‘Mulheres de Camilo’, integrada nas comemorações dos 200 anos do lançamento da última pedra do Templo do Bom Jesus do Monte’.

Segundo José Carlos Peixoto, mesário da Confraria, esta instituição prossegue, em parceria com a Casa de Camilo, “a sua vertente de intervenção cultural, criando, com esta iniciativa, novas forças motivadoras para os admiradores desta estância a revisitarem e usufruírem melhor do seu património”.

Segundo aquele responsável, a exposição constitui “mais uma razão, nestes dias de Primavera, para os peregrinos, forasteiros e turistas visitarem esta beleza da natureza, encastoada no monte sagrado bracarense”. Com a abertura da exposição no dia de hoje, visa-se assinalar o dia da morte do maior nove-lista e romancista português do século XIX.

Do programa de abertura da exposição consta, para além de algumas intervenções, a leitura de alguns textos por figurantes representando Camilo e Ana Plácido.
Adianta-nos José Carlos Peixoto que “o Bom Jesus do Monte tem um perfume especial na vida e na obra de Camilo” que elegeu este local “para meditação, para contemplação, para repouso, para devaneio por entre ares balsâmicos, para criação das folhas dos seus romances e para o restabelecimento físico e psíquico”.

A exposição ‘Mulheres de Camilo traça um percurso por algumas mulheres que se cruzaram no caminho de Camilo começando na mãe, passando por Joaquina Pereira de França, Patrícia Emília de Barros, Bernardina Amélia, Maria Felicidade do Couto Browne, Fanny Owen, Princesa Rattazzi, Clara Belloni, Debedeille e Ana Augusta Plácido.

O Bom Jesus foi refúgio do romancista Camilo Castelo Branco visitou, pela primeira vez, o Bom Jesus com, apenas, nove anos de idade.  A partir de então foram muitas as temporadas que frequentou esta estância de turismo religioso e de lazer.
Neste monte sagrado escreveu, encontrou-se com os amigos, refugiou-se nos seus jardins, recuperou energias, apreciou a gastronomia.

Camilo Castelo Branco, in ‘Duas horas de leitura’, descreve assim as mulheres:

“ainda que sejam primas, foram, são, e hão de ser, cada vez mais, a máxima formosura deste planeta. Se as tiram de cá, isto é imundo, a vida é um desterro, e a vaidade, o coração, a bravura, o talento, a glória são palavras sem significação. O que restaria? Um enxame de bípedes, agatinhando numa bola feiamente achatada para os polos, cousa ridícula, que fez dar risadas estrondosas àquele Micromegas, habitante da estrela Sírio, de que fala Voltaire”

e in ‘Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado’, exprime-se desta forma: “enquanto houver mulheres … o céu, o sol, ou outra obra magnificentíssima do Senhor, a poesia não morrerá”.

José Paulo Silva
Fonte Correio do Minho

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