Manuscrito da obra “Amor de perdição” (2)

Conservação e restauro efetuado na Biblioteca Nacional de Portugal

Encadernação
Não tem. O manuscrito foi colocado numa pasta em tudo semelhante a uma encadernação de livro, mas sem estar encadernado. A pasta é independente dos cadernos e não há qualquer indício de alguma vez o manuscrito ter sido cosido à lombada. As capas são revestidas de pele castanha com decoração em ouro e lombada (sem nervos) também gravada a ouro com rótulo vermelho em pele . O interior é revestido de papel marmoreado.

Corpo do livro
Não existe propriamente um «corpo do livro», pois, o manuscrito apresenta-se sob a forma de um «maço» de cadernos separados . No interior de alguns dos bifólios centrais existem apenas vestígios de linha e furos de costura em três pontos: junto à cabeça, junto ao pé e ao meio, que serviriam provavelmente para agrupar os bifólios dos cadernos e não para unir todo o «maço», uma vez que não existem vestígios de costura entre eles. A organização dos cadernos segue normalmente um ritmo de cinco bifólios, com apenas uma excepção  e algumas folhas soltas entre os cadernos.

Estado de conservação
A forma como o documento foi acondicionado revelou-se determinante no desenvolvimento acelerado dos processos que normalmente concorrem para a degradação da integridade física de um livro, em particular do bloco de texto. A obra evidencia, no entanto, sinais de deterioração física e química que estão relacionados não só com o seu manuseamento, mas também com factores derivados do tipo de papel e tinta utilizados pelo autor, o que acabou por condicionar o seu actual estado de conservação e a estabilidade futura do documento.
O suporte apresenta uma alteração de cor sensível, caracterizada por um escurecimento e amarelecimento generalizados, vincos, rasgões e perda de material original, sobretudo ao longo das margens, causado pelo manuseamento (agravado pela ausência de encadernação) e pelos processos normais de degradação e envelhecimento do papel que ao longo do tempo alteraram as suas características originais, tornando-o frágil e quebradiço. Estes aspectos são mais evidentes nos primeiros fólios e nos últimos que se encontram separados dos restantes cadernos. Na folha de rosto e no fólio 312 (último fólio que na ficha de colação aparece com o número 320, porque na numeração mais antiga os primeiro fólios têm uma numeração à parte), as margens originais foram muito obliteradas, apresentando também vários rasgões de pequena dimensão, dobras e manchas de diversas origens. Para além destes, há ainda outros fólios soltos do bloco de texto que não formavam bifólios e que, por se encontrarem no interior da obra, escaparam a um desgaste tão acentuado.
O papel utilizado foi produzido a partir de uma mistura de polpa de trapo à base de linho, embora de qualidade bastante grosseira, com fibras muito curtas (como se pode observar pelas fotografias ao microscópio), revelando uma qualidade variável de espessura e cor ao longo da obra.
Existem também indícios nítidos de corrosão que derivam do tipo de tinta utilizado (tinta ferrogálica), que é um reconhecido factor catalisador da degradação da celulose, sobretudo quando em presença de determinadas condições ambiente, contribuindo para a deterioração acelerada do papel e podendo até (em situações extremas) levar à perda da informação escrita. A degradação do suporte depende da composição química da tinta, da sua concentração, do tipo de fibras e composição do papel e do tipo e quantidade de encolagem aplicada. A velocidade da reacção é também naturalmente influenciada pelas condições de ambiente e acondicionamento. A degradação do manuscrito provocada pela tinta não é muito extensa, uma vez que o texto da obra foi escrito geralmente num só lado e, embora tenha causado a rotura do documento em vários pontos (sobretudo nas zonas rasuradas), raramente chega a prejudicar a sua leitura ou pôr em causa a integridade do suporte.

Fonte

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