Mariana, a mais romântica personagem em Amor de Perdição

“Amava, e tinha ciúmes de Teresa, não ciúmes que se refrigeram na expansão ou no despeito, mas infernos surdos, que não rompiam em lavareda os lábios, porque os olhos se abriam pronto em lágrimas para apagá-la.”

Camilo Castelo Branco. Amor de Perdição.

INTRODUÇÃO
Por meio desde estudo, pretendemos analisar a personagem feminina Mariana, da obra de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1868), discutiremos sobre o romantismo vivido, através da personagem supracitada e falaremos sobre a escola literária o Romantismo Português do século XIX.
Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, pode ser considerada como um verdadeiro marco do Ultra-Romantismo Português, uma obra que foi recebida com euforia pela crítica e pelo público, tornando-se um dos grandes clássicos da literatura universal. Podemos dizer uma nova versão
de “Romeu e Julieta” português.
De acordo com Doutor Vitor Hugo (2006), Camilo Castelo Branco (1825-1890), era escritor prolífero, foi poeta, folhetinista, novelista, romancista, contista, historiador, polemista, crítico literário, epistológrafo (escrevia cartas), teatrólogo. Foi na prosa de ficção, mais especificamente na novela (narrativa longa, plurifabular, de estrutura frouxa, articulada por um princípio de coordenação das fábulas, tendo caráter semidocumental e semificcional) e no romance (narrativa longa, plurifabular de estrutura densa, articulada por um princípio de subordinação de fábulas, tendo caráter essencialmente ficcional) que se destacou na Literatura Portuguesa.
O romance romântico Amor de Perdição, trata de uma tríade amorosa, amor entre jovens modulado em expressão trágica e conflitos. Este romance, desde logo chama-nos a atenção por inúmeras razões. Pelo escritor, pelo enredo, pela personagem Mariana e por ser um romance Ultra-Romântico.
Para a concretização deste artigo, fundamentamos em alguns críticos literários, historiadores, no próprio autor e principalmente na nossa visão crítica.
O artigo esta dividido em três seções, a saber, na primeira seção que tem por título O Romantismo, na qual discutiremos através da história, como foi esse estilo e suas características, na segunda O papel da mulher no século XIX, falaremos sobre o perfil feminino e na terceira, intitulada Mariana a mais romântica personagem de Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, analisaremos a personagem Mariana considerada a mais romântica personagem, pois entrega-se ao amor sem nenhuma expectativa de ser correspondida.

O ROMANTISMO PORTUGUÊS
Segundo alguns estudiosos críticos, Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico, surgido nas ultimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX, caracterizou-se como visão do mundo contraria ao racionalismo que marcou o período do neoclássico e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa. Os autores românticos, voltavam-se cada vez mais para si mesmo, retratando o drama humano, amores trágicos, idéias utópicas e desejos de escapismo. Se o século XVII foi marcado pela objetividade, pelo iluminismo e pela razão, o inicio do século XIX seria marcado pelo lirismo, subjetivismo, pela emoção e pelo eu.
O termo romântico refere-se a tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo, dentre as características do Romantismo, destacamos as centrais, são elas: o lirismo, o subjetivismo, o sonho, o exagero, a busca pelo exótico, nacionalismo, idealização do mundo e da mulher, o pessimismo, o gosto pela morte e o sentimentalismo exacerbado. No subjetivismo, o romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. Pode ser notado através do uso do verbo na primeira pessoa, trata-se sempre de uma opinião particular, por um indivíduo que baseia suas perspectivas naquilo que suas sensações captam com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha de expor suas emoções pessoais e fazer delas sempre retomadas em sua obra. A idealização é empolgada pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Desta forma a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói nacional e a pátria é sempre perfeita.
O sentimentalismo exacerbado, praticamente em todos os poemas e obras românticas apresentam (já que essa escola é movida através da emoção) sendo da mais comum a saudade e a tristeza.
As obras românticas expressam sentimentalismo do autor, suas emoções e como retratam sobre uma vida. O romantismo analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos e creditam que só sentimentalmente se conseguem traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo retratado.
O segundo momento romântico que se desenvolve mais ou menos entre 1838 e 1860, inicia-se um período que corresponde ao pleno domínio da estética romântica, os novos grupos literários emergentes neste ano praticam ao extremo o ideal romântico na parte da sensibilidade e da liberdade moral; e sendo cem por cento românticos, ultrapassam os limites da estética, transformando-se nos chamados “ultra-românticos”.
Purificam a tal modo as características do Romantismo que fatalmente caem no exagero e no esparramento, tudo com base num conceito meio místico de poeta e da sua missão social expresso numa linguagem fácil e comunicativa. Embora o ultra-romantismo se coadune essencialmente com a poesia, muitos dos seus ingredientes também são expressos em prosa. O eixo ao redor do qual gira toda a envergadura de Camilo Castelo Branco é constituído pela novela passional, definiu-a no gosto público e nos ingredientes fundamentais, monopolizou-a totalmente depois de uma certa altura e acabou por ser o seu mais alto representante. Para alcançá-la Camilo contava com determinado fatores, dentre os quais predominavam os lances de aventura galante com que pontilhou a sua existência e um especial talento para tratar dos problemas do coração.
As novelas camilianas mudam apenas e sempre no tocante do enredo, permanecendo invariavelmente o mesmo módulo central: sempre o amor impossível e superior, ou marginal aos preconceitos sociais que brotam do mais fundo da carne e da alma, levando ao desvario os apaixonados com as promessas duma bem-aventurança via de regra, malograda.

(continua)

BENEDITO, Nunes. Visão Romantica (in romantismo Guiberg, Jacó. (org) 4ª Ed S.P. Perspectiva, 2005 p.51-74).

Massaud Moises. A literatura Portuguesa, 2005

Antonio José Saraíva e Oscar Lopes. História da Literatura Portuguesa, 2004

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/67083/1/Mariana-a-mais-Romantica-personagem-em-Amor-de-Perdicao-de-Camilo-Castelo-Branco/pagina1.html#ixzz1RPxEq9E7

 

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