Camilo e o Dia Mundial do Livro

 

Conheci Augusto Soromenho muito infeliz nos mais florescentes em que o gear da desgraça requeima as flores. Ele não tinha flores, nem bifes, nem fraques. Era escrevente em um escritório de barreiras, recebia doze escassos vinténs por dia, desvelava as noites lendo de empréstimo livros obsoletos; e, nas horas feriadas ao seu emprego quotidiano, ia a livraria publica afligir os empregados pedindo livros em línguas mortas, como se os anémicos e românticos funcionários da biblioteca de S. Lazaro pudessem conhecer e carrejar os pulvéreos folios-máximos dos Santos Padres!

Camilo Castelo Branco

in Cancioneiro Alegre, vol. II

 

 

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