Hotel Paris (Porto)

Com 136 anos de vida, feitos em Novembro último, e palco de encontro, no passado, de escritores portugueses célebres como Camilo Castelo Branco ou Eça de Queirós, o Grande Hotel de Paris já passou por momentos bons e maus. Na última década, tem tentado recuperar e preservar a sua história.

Situado nos números 27 a 29 da Rua da Fábrica, na baixa do Porto, o histórico hotel, que ascendeu recentemente à categoria de hotel de  3 estrelas, está agora apostado em recuperar a aura de outros tempos. A confirmação de que esta era a unidade hoteleira mais antiga da cidade chegou com o livro “Grande Hotel de Paris – Uma História no Porto”, publicado por Octávio Miguel Félix, em 2011.

“Com uma nova direcção, em 1999, o hotel começou a renascer e a partir de 2001, houve uma nova vontade de preservar e recuperar. O hotel foi adquirido em 1999 pela nova direcção e percebeu-se que havia grande potencial”, explica Amílcar Gomes, responsável pela comunicação do Grande Hotel de Paris.

À conversa com o P24, o responsável conta como a actual equipa tentou”recuperar o máximo possível”. “Este é um exercício que tem sido feito até hoje, o de recuperação, mas também o de perceber a história e valorizar o autêntico”, refere Amílcar Gomes, que recorre a uma citação do livro de Octávio Félix para explicar as mudanças que o hotel sofreu. “Além da reestruturação dos serviços hoteleiros fundamentais, dezenas de peças de época têm sido recuperadas, despontando, nas suas alas, um simpático ‘hotel museu’”.

Actualmente, o Grande Hotel de Paris tenta “catalogar algumas peças, por exemplo, o PBX [sistema de telefone com múltiplas linhas, outrora utilizado sobretudo em empresas], a central telefónica e o piano”, revela Amílcar Gomes.

Edifício é de 1857

Apesar de o hotel ter surgido em 1877, foi em 1857 que o edifício foi construído. Nesse ano, funcionava como casa da Filarmónica Portuense, como explica o livro de Octávio Félix, sendo, na altura, “uma construção apalaçada tipicamente portuense dos arruamentos da época”. O edifício tinha um “alçado sóbrio com uma impressão de verticalidade” e, escreve o autor, ganhava “em profundidade” o que perdia “de frente”. “Foi mandado construir pelo negociante da cidade Manuel Fernandes da Costa Guimarães”, conta Octávio Félix.

Em 1877, “Manuel Fernandes preside o conselho de administração [do Grande Paris Hotel]. O cargo de director responsável é do francês Léopold Cyrille Gabriel Dupuy. Ernesto Chardron e Mathieux Lugan são vogais da sociedade. Os 2 últimos proprietários da Livraria Internacional Ernesto Chardron, depois a famosa Livraria Lello”, relata o livro de Otávio Félix.

“Quando o hotel surge, o Porto estava a viver o crescimento da revolução industrial. Por isso, quando [o hotel] foi inaugurado pretendia ser hotel de primeira [classe], com aquilo que de nacional havia para oferecer. E, durante o período de crescimento da cidade, o hotel também cresceu, transformando-se numa referência”, conta Amílcar Gomes.

No hotel, ficaram alojadas várias celebridades. Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro e Rafael Bordalo Pinheiro são alguns dos notáveis que passaram pelo Grande Hotel de Paris. Reza a história que foi aqui que Camilo Castelo Branco e Guerra Junqueiro reataram uma amizade que andava de “costas voltadas”. “Há uma história engraçada, quando o Camilo Castelo Branco estava no final de vida. O Ricardo Jorge, um médico, patrocinou a visita do Guerra Junqueiro aqui, quando os 2 estavam de costas voltadas, por defenderem teses diferentes. Sendo amigos, ficavam de costas voltadas. E foi nesse encontro que reacenderam a amizade”, conta Amílcar Gomes.

Tertúlias políticas e literárias

Com o tempo, o hotel  ”começou também a ser apelidado de ‘Casa Transmontana’ no Porto. Havia hóspedes estrangeiros, mas a população do Porto também vinha para as tertúlias e discussões politícas, literárias, entre outras”, refere o responsável.

Porém, a ligação umbilical do hotel com a cidade do Porto, que no início ajudou a fazer crescer o Paris, também contribuiu para o seu declínio. “No [início da década de] 80,passou a ser uma residencial. Isto esteve relacionado um pouco com o declínio da cidade do Porto”, explica Amílcar Gomes.

“A autentecidade que o caracteriza, também a localização, o facto de existir uma boa relação com os hóspedes, um ambiente familiar”, são actualmente os pontos fortes do Grande Hotel de Paris e são “vários” os hóspedes “que voltam todos os anos”.

“O segredo é mesmo a autenticidade”, diz, por seu turno, David Ferreira, o director do hotel, que lamenta que os portuenses “que passam na rua não se apercebam” de que ali fica um hotel e um hotel com tanta história.

“A biblioteca [do hotel] é feita pelos hóspedes e para os hóspedes”, que podem deixar e requisitar livros ‘à boleia’ do bookcrossing. “Neste momento, a nossa biblioteca tem livros da Coreia do Sul, da Noruega, obras em inglês de referência a autores menos conhecidos de Itália, por exemplo”, explica Amílcar Gomes.

Dependendo da época do ano, uma noite neste histórico do Porto, que serve pequenos-almoços numa sala ao estilo “Belle Époque” e organiza saraus, pode ficar entre 45 e 75 euros.

Fonte: Porto 24

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