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Archive for the ‘Estudos Literários’ Category

Aproveitando a comemoração dos 150 anos de lançamento do primeiro livro de poemas de Machado de Assis – Crisálidas, de 1864 -, pretendemos realizar eventos em quatro países para refletir sobre as relações entre o escritor brasileiro e Camilo Castelo Branco, já então um autor consagrado em nosso país e com um livro publicado em primeira edição no Brasil no ano anterior – Agulha em Palheiro. Além disso, durante os dois anos anteriores, Camilo, que muitas vezes escrevia tendo em vista o público de além-mar, e Machado publicaram em O Futuro – periódico de Faustino Xavier de Novais, editado em terras brasileiras.´

 Mesmo se os homens não têm relação pessoal alguma, os livros e as ideias circulam de um lado para o outro do Atlântico no tempo de Camilo Castelo Branco e de Machado de Assis. Assim se exportam para lá das fronteiras os questionamentos, relativos por exemplo à representação do real e à noção de verosimilhança em literatura, os modelos e os modos de difusão tais como o folhetim nos jornais, tornando-se a literatura accessível a todos graças a esta inovação francesa. Assiste-se nomeadamente à transferência rápida do modelo positivista para o Brasil ; neste país, tal como em Portugal ou em França, alguns, no final do século XIX, põem em causa o romance positivista, à semelhança de Camilo Castelo Branco e de Machado de Assis. 

Apesar de alguns críticos como Jacinto do Prado Coelho, Lélia Parreira Duarte, Marta de Senna, Agripino Grieco e Paulo Franchetti já terem defendido a aproximação entre as obras destes dois autores de grande ascendência nas literaturas de expressão de língua portuguesa, sobretudo pelo uso da ironia e da interlocução com o leitor, é ainda escassa a quantidade de pesquisas que tratam de forma mais aprofundada não somente das relações entre os dois autores, como também dos diálogos entre outros escritores e produções culturais dos países de expressão em língua portuguesa. Nesse sentido, os eventos tencionam alargar o horizonte de compreensão das relações entre as obras de Camilo e Machado e de outros escritores lusófonos, tanto do século XIX quanto do XX, trabalhando com outros aspetos que possam ser levantados a partir do diálogo entre eles.

Fonte: Aqui

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Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores, este prémio destina-se a galardoar anualmente uma obra em português, de autor português ou de país africano de expressão portuguesa, publicada em livro e em 1.ª edição no ano anterior ao da sua entrega.

Amanhã será entregue a 22 fevereiro o prémio a Eduardo Palaio, no Centro de Estudos Camilianos (S. Miguel de Seide), às 10h30.

Escritores e obras premiadas:

2011 – Eduardo Palaio (Caixa Baixa)

2010 – Pires Cabral (O Porco de Erimanto)

2009 – Afonso Cruz (Enciclopédia da Estória Universal)

2008 – Teresa Veiga (Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín)

2007 – Ondjaki (Os da minha rua)

2006 – Gonçalo M. Tavares (Água, Cão, Cavalo, Cabeça)

2005 – Paulo Kellerman (Gastar Palavras)

2004 – Manuel Jorge Marmelo (O Silêncio de um Homem Só)

2003 – Urbano Tavares Rodrigues (A Estação Dourada)

2002 – Teolinda Gersão (Histórias de Ver e Andar)

2001 – António Mega Ferreira (A Expressão dos Afectos)

2000 – José Viale Moutinho (Cenas de Vida de um Minotauro)

1999 – José Eduardo Agualusa (Fronteiras Perdidas)

1998 – José Jorge Letria (A Mão Esquerda de Cervantes)

1997 – Luísa Costa Gomes (Contos Outra Vez)

1996 – Miguel Miranda (Contos à Moda do Porto)

1995 – Maria Judite de Carvalho (Seta Despedida)

1994 – Maria Velho da Costa (Dores)

1993 – Maria Isabel Barreno (Os Sensos Incomuns)

1992 – Teresa Veiga (História da Bela Fria)

1991 – Mário de Carvalho (Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano)

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PROGRAMAÇÃ
19/09/2012 – 4ª feira – Faculdade de Letras da USP, São Paulo

ABERTURA
10h/11h30 – Camilo Castelo Branco para além do romantismo – sala 260
Coord: Paulo Motta Oliveira (USP)
– Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto): “Ainda o fantasma do naturalismo em Camilo (O Sr.
Ministro)”

14h/16h30 – A crítica social camiliana – sala 260
Coord: Maria Helena Santana (Universidade de Coimbra)
– Hélder Garmes (USP): “Coração, cabeça, estômago, consciência e capital”
– Sérgio Guimarães de Sousa (Universidade do Minho): “Quando dizer não é dizer sim. Sobre Jerónima
(As Três Irmãs)”
– Sérgio Nazar David (UERJ/CNPq): “Mimese e moral em Camilo Castelo Branco”
– Rosemary da Silva Granja (UNESA): “Brasileiros e Portugueses – todos fora do lugar: a imagem do
brasileiro torna-viagem na ficção camiliana”

17h/19h30 – Camilo e seus contemporâneos – sala 260
Coord: Pedro Schacht Pereira (The Ohio State University)
– Ida Alves (UFF): “Camilo e Castilho, ao correr da pena”
– Maria Helena Santana (Universidade de Coimbra): “Paixão e razão na retórica sentimental: Amor de
Perdição”
– Daniel Pires (Centro de Estudos Bocageanos): “A Questão da Sebenta”
– Mirhiane Mendes de Abreu (UNIFESP): “A carta insinuada: a narração do amor em Amor de Perdição e
Lucíola”

20/09/2012 – 5ª feira – Faculdade de Letras da USP, São Paulo

8h/9h30 – Mesa de comunicações – sala 266 e 262

10h/12h – Figuras históricas na narrativa camiliana – sala 266
Coord: Maria de Fátima Marinho Saraiva (Universidade do Porto)
– Annie Gisele Fernandes (USP): “Camilo Castelo Branco, o Oitocentos e as revivescências messiânicas”
– Anamaria Filizola (UFPR): “ ‘Pois quem vos matou, meu formoso?’: Camilo Castelo Branco e o sermão
das exéquias de D. Sebastião”
– Marcia Arruda Franco (USP): “Camilo, leitor de Sá de Miranda”

14h30/16h30 – A modernidade de Camilo – sala 266
Coord: Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto)
– Paulo Franchetti (UNICAMP): “Tal perdição, qual amor?”
– Maria do Rosário Lupi Bello (Universidade Aberta): “Mistérios de Lisboa: a narrativa como experiência e acontecimento”
– Maria Theresa Abelha Alves (UFRJ): “Camilo Castelo Branco em páginas de Mário Cláudio”

17h/19h – Olhares diversos sobre Camilo – sala 266
Coord: Ida Alves (UFF)
– Marcelo Sandmann (UFPR): “O Futuro: um periódico luso-brasileiro”
– Jorge Valentim (UFSCar): “Notas de uma ‘Sinfonia Offenbachiana’: breves reflexões em torno de Camilo Castelo Branco e a ópera em Portugal”
– Otávio Rios (UEA): “Raul Brandão, leitor de Camilo”

21/09/2012 – 6ª feira – Faculdade de Letras da USP, São Paulo

8h/9h30 – Mesa de comunicações – sala 266 e 261

10h/12h – Recursos estéticos da ficção camiliana – sala 266
Coord: Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
– José Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa): “Camilo Castelo Branco e a evolução do romantismo português – funcionalidade da estratégia parodística”
– Maria de Fátima Marinho Saraiva (Universidade do Porto): “A retórica do amor e da (in)felicidade em Camilo Castelo Branco”
– Osmar Pereira Oliva (Unimontes): “Procedimentos carnavalizantes em A brasileira de Prazins”

14h30/16h30 – Para além do romance camiliano – sala 266
Coord: Maria do Rosário Lupi Bello (Universidade Aberta)
– Pedro Schacht Pereira (The Ohio State University): “Da abstinência como virtude filosófica: o filósofo de trazer por casa em Camilo Castelo Branco”
– Raquel S. Madanêlo Souza (UNIFESP): “Camilo e a Renascença Portuguesa” – José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra): “Um inquietante legado camiliano: a questão do mal e da justificação”

17h/19h – Camilo, um escritor imortal – sala 266 Coord: Sérgio Guimarães de Sousa (Universidade do Minho) – Paulo Motta Oliveira (USP): “Amor de Perdição no Brasil”
– Patrícia da Silva Cardoso (UFPR): “Camilo e as coisas espantosas”
– Maria Cristina Simon (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3): “Tempo e espaços do amor e da perdição”

24/09/2012 – 2ª feira – Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro

09h30 – ABERTURA

10h/12h – Camilo em perspectiva comparada
Coord: Gilda Santos (RGPL/UFRJ)
Ida Alves (UFF): “Castilho, leitor de Camilo”
Laura Padilha (UFF): “Assis Júnior em diálogo com Camilo”
Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira (UFF): “Perdições do amor: leituras do amor na narrativa portuguesa contemporânea”
Ana Luísa Patrício Campos de Oliveira (USP): “Honoré de Balzac e Camilo Castelo Branco: a crítica social oitocentista em uma leitura comparada”

14h30/16h – Entre o amor (de perdição) e a crítica social
Coord: Laura Padilha (UFF)
Gilda Santos (RGPL/UFRJ): “Amor de Perdição – a “joia da coroa” do Real Gabinete”
Luis Maffei (UFF): “O dinheiro trai felicidade, Camilo?”
Monica Figueiredo (UFRJ): “Todas as novelas de amor são ridículas. Não seriam novelas camilianas se não fossem ridículas”

16h30/18h – Leituras camilianas nos séculos XX e XXI
Coord: Luis Maffei (UFF)
Dalva Calvão (UFF): “Simão e Teresa, personagens de Mário Cláudio”
Maria Theresa Abelha Alves (UFRJ): “Camilo Castelo Branco em páginas de Mário Cláudio”
Gustavo Duarte (Universidade de Lisboa): “O Saturno de Camilo: um olhar sobre O Penitente, de Teixeira de Pascoaes”
Paulo Motta de Oliveira (USP) – “Mario Barroso: um outro amor de perdição”

25/09/2012 – 3ª feira – Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro

10h/11h30 – Camilo Castelo Branco e o Oitocentos
Coord: Ida Alves (UFF)
Conferência de Cleonice Berardinelli (ABL/UFRJ):
“Pelas mãos do narrador”

14h/15h30 – Leituras camilianas
Coord: Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira (UFF)
Madalena Vaz Pinto (UERJ/FFP): “Amor de perdição de Camilo Castelo Branco: a presença do narrador na construção de um pacto de leitura”
Luciene Marie Pavanelo (USP): “O Demônio do Ouro e o antinacionalismo camiliano: um romance histórico heterodoxo”
Eduardo da Cruz (UFF/RGPL): “Relatos de uma sociabilidade: os manuscritos camilianos no Real Gabinete”

ENCERRAMENTO
16h – Cine Real, com a projeção de “Amor de Perdição”, 1943
– Apresentação de Michelle Sales (Escola de Belas Artes/UFRJ)

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No passado e no presente a história literária brasileira está mergulhada em intrigas, invejas, ressentimentos, vias de fato, injustiças, indiferenças e, em nível mais elevado de debate, em polémicas. A começar das incompreensões no próprio seio dos movimentos literários ou periodizações, as dissensões se instalam com grupos novos defendendo suas propostas ou manifestos de independência no que respeita ao estilos ou estilos anteriores, o que, de alguma maneira, explica ou justifica a dinâmica interna e específica do fazer literário. Não deixa de ser um jogo ancestral entre a velha e a nova geração num período histórico considerado.
Quem chega, deseja a desestabilização do estilo anterior, como se o novo fosse sempre “superior” ou “melhor” do que o antigo. Nada mais longe da verdade. O carácter de dinamismo da escrita literária fala mais alto do que as relatividades das vanguardas. O que convém ter em mira é o sentido de modificações que instrumentalizadas pelas realidades sociais e culturais diferentes acompanhando o ritmo da História, sem vozes de alcances de perfeição e formas ideais.  Portugal e o Brasil são dois países em que a polémica alcançou, mais naquele do que neste, considerável fortuna crítica. Em Portugal, cujas primeiras notícias datam da época dos trovadores e jograis, serve de ponto alto a polémica conhecida como “Questão Coimbrã”, embate ácido entre o Romantismo e o Realismo, dividindo, no plano intelectual, figuras consagradas da velha geração liderada por Antônio Feliciano de Castilho(1800-1875) apoiado pelo destemido e mordacíssimo romancista Camilo Castelo Branco (1825-1890). Do outro oposto, representando as novas ideias os escritores Antero de Quental (1842-1891) e Teófilo Braga (1843-1924) procurando desqualificar o Romantismo chamado “decadente,” encarnado na produção ficcional de Camilo Castelo Branco.

No Brasil, segundo Naief Sáfadi, a polémica não é tema tão frequente assim, podendo-se asseverar que um dos seus capítulos mais conhecidos é aquele alusivo ao poema “A Confederação dos Tamoios” (1857), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882) polémica que resultou na publicação de oito cartas de José de Alencar reunidas em Cartas sobre a Confederação dos Tamoios (1860) escritas sob o pseudónimo de “Ig.” Nelas Alencar assinala como defeito na elaboração daquele poema a ausência de vigor poético e, além disso, refere à precariedade de sua maneira de conceber a figura do índio, segundo ele, artificialmente composto. Ora, o próprio Alencar foi também, por sua vez, vítima de crítica semelhante, que lhe apontavam idealizações exageradas na caracterização física e psicológica do indígena brasileiro. Em defesa de Magalhães, saíram Araújo Porto Alegre (1806-1879) e o imperador D. Pedro II (1825-1891). Defendendo Alencar esteve Pinheiro Guimarães (1832-1877).

Outras polémicas, na década de 1880, poder-se-iam mencionar aqui. As de Carlos de Laet (1847-1927) com os portugueses Camilo Castelo Branco e Castilho e outra com Valentim Magalhães(1859-1903) sobre uma questão até sem muita relevância, a de saber (!) quem seria o melhor poeta brasileiro Gonçalves Dias (1823-1864), Castro Alves (1847-1871) ou Luís Delfino (1834-1910).  Ainda naquela mesma década, houve uma destacada polémica entre Júlio Ribeiro (1845-1890), romancista, gramático e filólogo, famoso por sua verve cáustica em assuntos de política (Cartas sertanejas, 1885) e o Pe. Sena Freitas, a propósito do romance naturalista ” A carne”, zombeteiramente chamado “A carniça” pelo crítico Agripino Grieco ( 1888-1973).  Algumas outras polémicas se tornaram suficientemente divulgadas: a de Tobias Barreto (1839-1889), em 1883, com os padres maranhenses Joaquim Albuquerque (1867-1934) e Casemiro da Cunha, sobre questões de clericalismo no meio cultural brasileiro. As polêmicas de Sílvio Romero (1851-1914) com Teófilo Braga, com José Veríssimo (1857-1916) e com o gramático Laudelino Freire (1873-1937).
Famosa ficou também a polêmica de Rui Barbosa (1849-1923) que manteve com o seu ex-professor Ernesto Carneiro Ribeiro, versando sobre a redação do Código Civil Brasileiro (1903). Em resposta às críticas de Carneiro Ribeiro, Rui escreveu a célebre Réplica à defesa da redação do Código Civil Brasileiro, 1904) que lhe valeu, da parte do opositor, uma Tréplica.
Anos depois, outras polêmicas surgiram, como aquela travada entre Cassiano Ricardo (1895-191974) e Fernando de Magalhães tendo por eixo da discussão Cecília Meireles (1901-1964) e a Academia Brasileira de Letras. Osório Borba e Menotti del Picchia (1892-1988) polemizaram sobre o tema da crítica literária brasileira, Osório desanca o regionalismo e o caráter personalista daquela crítica. Não podemos esquecer entre outras, as polêmicas entre o Pe.. Leonel Franca (1893-1948) e José Oiticica(1882-1957). Em outra ocasião, Oiticica, que era anarquista e gramático, terçou armas com o linguista e filólogo Sílvio Elias (1913-1998).
Finalmente, para não alongar o objetivo deste artigo, que não é o de desenvolver em profundidade o tema da polémica literária no país, lembraria a polémica acérrima entre dois críticos de grande valor, mas de diferente tendência teórica e visão cultural : Álvaro Lins (1912-1970) e Afrânio Coutinho (1911-2000). A raiz da polémica situa-se a partir da publicação da obra de Coutinho, A filosofa de Machado de Assis (1940). A natureza dessa polémica tem fundamentação argumentativa
nos campos da estilística e da visão crítica de autores que influenciaram a ficção machadiana. A meu ver, a diatribe, até extrapolando para o plano pessoal, foi, primeiro, provocada por um ensaio de Lins sobre aquela obra de Coutinho. A reação de Coutinho foi imediata e duríssima.
Todos esses comentários me vieram à baila após recentes leituras de duas crônicas de Ferreira Gullar publicadas na sua coluna do Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, nas quais menciona o nome de Augusto de Campos a respeito de uma afirmação deste sobre o que pensava do escritor e poeta modernista Oswald de Andrade (1890-1954). O fato se resume no seguinte: num encontro de Gullar com Augusto de Campos, no Rio de Janeiro, em 1955, na Spaghettilândia, na Cinelândia, Centro do Rio. Gullar relatou numa das crônicas acima referidas que Augusto chamara Oswald de Andrade de “irresponsável.”, julgamento que Gullar imediatamente rechaçara. Augusto de Campos, em artigo recente publicado naquele mesmo jornal, desmentiu o que Gullar escrevera a respeito do encontro, afirmando que não houve tal encontro, mas não negou que chamara Oswald de Andrade de “irresponsável”.
Pelo que conheço de Gullar, o que a questão levanta é não só evidência de vaidade da parte que pretende ter sido quem julgou com acerto – o que não foi o caso de Augusto de Campos – e de forma antecipadora um escritor de inegável qualidade como Oswald. Ao contrário, fora Gullar quem acertara em cheio no julgamento justo e antecipado sobre a poesia de Oswald de Andrade. Quanto a saber se Augusto de Campos, numa releitura mais cuidadosa da obra de Oswald, conseguiu que o autor de Serafim Ponte Grande (1933) fosse reconhecido como figura de relevo na poesia brasileira, isso torna as justificativas de Gullar bastante louváveis.
Agora, ao trazer à discussão a questão do encontro e da opinião negativa de Augusto para um deslocamento de assunto relacionado à dúvida sobre o valor e importância de poemas de Gullar, a história se complica e, então, não há como não tomar o partido de um poeta de alta expressão como Ferreira Gullar. Daí para diante, de um lado e de outro, os entrerveros só a custo conseguem se manter em bases educadas, uma vez que a verrina da polêmica já se instalou nos campos intelectual e pessoal, o que, no último caso, empobrece qualquer polêmica em alto nível conduzida. É uma pena que assim hajam chegado a tais divergências.

NOTAS:

1.SÁFADI, Naief. Verbete sobre “Polêmica” na literatura brasileira. In: Dicionário de literatura (direção de Jaccinto do Prado Coelho). 3 ed., 2º vol. L/S. Porto: Figueirinha, p. 838-839. Ver também o verbete “Polêmica” na literatura portuguesa. PRADO COELHO, Jacinto do. Idem,
ibidem, p. 837-838.
2. Nomes de escritores cuja indicação de data de nascimento e morte não aparecem neste artigo serão incluídos posteriormente no corpo do texto logo que devidamente localizados. A ressalva vale também para os nomes de obras e datas de publicação.

Fonte: Blog Literário

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Brevemente disponível

de Conceição Jacinto, Gabriela Lança
Código: 40231
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 64
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-40231-8

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Leitores

O que hoje comemoramos é muito mais do que o Dia do Livro, a sua euforia, a sua utilidade, o seu dia. Hoje, a propósito do Livro – e dos autores – assinalamos o modo como a humanidade resistiu à barbárie, como ela descobriu e fixou a poesia, o tempo, as epopeias, as paisagens, as aldeias recolhidas nas planícies, os pinhais abrigados num declive, a voz humana, o empréstimo do horror e da crueldade, a hora de dizer ‘não’ e a hora de dizer ‘sim’, as portas abertas numa casa vazia.

Assinalamos também, neste dia, o facto de as palavras terem um destino que se prolonga até onde formos capazes de levar algumas ideias tão simples, como a ideia de livro, a ideia de leitura, a de biblioteca, de partilha, de invenção, de página em branco, a de perdição por um romance ou por uma história repetida, repetida, repetida ao longo dos tempos.

Comemoramos este dia – de entre todos os outros – porque sabemos que a vida pode ser mudada por um livro, por um autor; que a nossa vida está perdida e, ao mesmo tempo, reunida nessas páginas de livros que passaram pelas nossas mãos ou aguardam o encontro entre a curiosidade e a pacificação, entre o gosto pela leitura e o gosto pela vida, entre as coisas que fomos e o que ainda havemos de ler.

Que existam, pois, bibliotecas, livros, autores, capítulos e fragmentos, sonetos, odes, histórias, episódios, esquecimentos, caminhos perdidos no meio das florestas ou desfeitos pela luz do mar, contos, novelas e números, fórmulas, apêndices e rostos amados. Que tudo exista. Porque todos nós somos leitores.

Este é o nosso dia, o princípio de todos os dias.

Francisco José Viegas

Para comemorar o “Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor”, que se celebra anualmente a 23 de Abril, a BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalista está a divulgar esta mensagem.

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Amor

foto Alex Pereira Lima

 

O amor, que não perde nem desvaira, esse é que é o amor.

Camilo Castelo Branco

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