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Archive for the ‘Mistérios de Lisboa’ Category

O filme Mistérios de Lisboa venceu o prémio de Melhor Filme Estrangeiro na edição deste ano dos Golden Satellite Awards, atribuídos pela International Press Academy. Os inúmeros galardões e elogios que a premiada obra-prima de Raúl Ruiz tem recebido tornam-na já no filme mais premiado e reconhecido da história do cinema nacional.

Mistérios de Lisboa saiu vencedor de uma lista de nomeados de peso que incluía filmes como Faust, de Aleksandr Sukorov (Leão de Ouro 2011), O Miúdo da Bicicleta, dos irmãos Dardenne (Grande Prémio do Júri – Cannes 2011) ou Uma Separação, de Asghar Farhadi (Urso de Ouro 2011).

A International Press Academy, que reúne centenas de jornalistas americanos e estrangeiros radicados nos Estados Unidos, havia ainda nomeado Isabel Branco nas categorias de Melhor Direção Artística e Melhor Guarda-Roupa pelo seu trabalho no filme.

Mistérios de Lisboa tem sido alvo de um reconhecimento internacional sem precedentes na carreira de um filme nacional.

Apenas nas últimas semanas e depois de a prestigiada Associação de Críticos de Cinema de Nova Iorque ter decidido entregar o seu Special Award a Raúl Ruiz, também a Associação de Críticos de Cinema de Toronto reconheceu o talento do mestre chileno ao considerar a longa como o Melhor Filme Estrangeiro do ano.

A estreia em Inglaterra da obra-prima de Raúl Ruiz, que teve lugar a 9 de dezembro, reforçou ainda mais o acolhimento excecional deste filme.

Importantes publicações inglesas, como The Guardian, The Times, The Independente, The Telegraph, Sight&Sound,Time Out London ou London Evening Standard, assinalaram a estreia com os mais rasgados elogios.

Mistérios de Lisboa já conquistou a Concha de Prata de Melhor Realizador no Festival de San Sebastián, o prestigiado Prémio Louis Delluc, o Prémio da Crítica no Festival de Cinema de São Paulo, e foi ainda nomeado para o Prémio Lux do Parlamento Europeu.

A adaptação da obra de Camilo Castelo Branco já teve estreia comercial em França, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Taiwan, Suíça, Bélgica e em breve estreará no Japão e no México.

Fonte: TVNET.PT

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Na consagração de ‘Mistérios de Lisboa’

Há qualquer coisa de doentio no modo como os graves e complexos problemas do cinema português (a começar pela sua estrita sobrevivência económica) são tantas vezes dirimidos como um inapelável conflito entre “arte” e “comércio”. Pensemos no contraponto com que nos desafiam os americanos. Desde a paternidade simbólica de David S. Griffith (1875-1948), os EUA, não por acaso detentores da mais poderosa cinematografia do planeta, compreenderam que aqueles dois elementos não são estanques nem necessariamente opostos no seu funcionamento. Em boa verdade, são insuficientes, para não dizer incorrectos, para descrever a dinâmica de qualquer contexto de produção.

O que está em jogo, entenda-se, não é nenhuma filosofia pueril para fazermos “à maneira de” (sabemos, aliás, o desastre que são a esmagadora maioria das imitações do cinema americano por europeus). Trata-se de não perder nenhuma oportunidade para valorizarmos e rentabilizarmos (em todos os sentidos) as conquistas reais da produção cinematográfica portuguesa.

A atribuição do Prémio Louis Delluc, em França, ao filme Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz, é uma dessas oportunidades. Antes do mais, como é óbvio, porque consagra um extraordinário trabalho de reconversão da escrita de Camilo Castelo Branco, subtilmente “cinematizada” pelo argumentista Carlos Saboga e, depois, admiravelmente encenada por Ruiz. Mas também porque na sua assinatura de produção surge o nome de Paulo Branco, um dos que mais consistentemente tem apostado na pluralidade do cinema português e também nas suas ramificações internacionais (Branco está a produzir, por exemplo, o filme Cosmopolis, de David Cronenberg).

Uma das manifestações mais estúpidas que, não poucas vezes, atravessa o debate (?) sobre o cinema português é a que obriga a estar “pró” ou “contra” Paulo Branco. Aliás, a infeliz memória colectiva dos portugueses já esqueceu que, não há muitos anos, se promovia a mesma estupidez, com toda a carga de insinuações e chantagens, em torno do nome de Manoel de Oliveira. A questão é outra, é sempre outra. O modelo de Paulo Branco não é “bom” nem “mau”, muito menos “universal”. A questão, como sempre, está nos detalhes. E que Mistérios de Lisboa ganhe um dos prémios mais importantes de todo o espaço europeu do cinema (já atribuído, entre muitos outros, a Robert Bresson, Jean-Luc Godard e Alain Resnais), eis um detalhe interessante.

Compreendemos, assim, que é possível fazer uma produção criativa e ousada que não se submeta ao império da ficção “telenovelesca”. Mais ainda: compreendemos que é possível manter uma relação viva com a televisão (Mistérios de Lisboa passará também, como mini-série, na RTP) sem ceder à mediocridade dos seus padrões dominantes. Não é cómodo reconhecê-lo, mas este Prémio Louis Delluc ecoa, no espaço português, como um facto eminentemente político.

 

por JOÃO LOPES

Fonte Diário de Notícias

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A crítica mundial rendeu-se a ‘Mistérios de Lisboa’, filme de Raúl Ruiz produzido por Paulo Branco

“É uma obra-prima”, enaltece Ricardo Pereira, protagonista da trama adaptada do livro de Camilo Castelo Branco e rodada em Portugal. Maria João Bastos e Adriano Luz, que integram também o elenco principal, corroboram. “É uma obra tão intensa e o Ruiz é genial”, frisa a actriz.

No centro do enredo está o ‘Padre Diniz’, vivido por Adriano Luz, “um homem enigmático, inquietante, com muitas vidas ocultas e máscaras”. O padre de Camilo é, no fundo, “o elo que liga todas as histórias” nesta teia de paixões, desonra, traições e duelos novelescos.

‘Mistérios de Lisboa’ chega hoje às salas de Portugal mas segue o seu percurso pelos melhores festivais de cinema do Mundo. Sábado é a vez de São Paulo (Brasil) ver a obra do chileno Ruiz. Em San Sebastián (Espanha), o filme arrecadou já a Concha de Prata de Melhor Realizador, “uma honra para toda a equipa”, segundo o produtor Paulo Branco.

Quanto à longa duração do filme – quatro horas e meia, com um intervalo -, os actores também se mantêm unânimes. “Nos festivais por onde o filme já passou não vi ninguém sair da sala. E foi sempre aplaudido de pé. É um filme que prende até ao final”, garante Maria João Bastos. Por isso
mesmo, Ricardo Pereira desafia: “Espero que todos vão ver. Vale mesmo a pena e não se vão arrepender.”

Sofia Canelas de Castro

Fonte: Correio da Manhã

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O Padre Diniz, personagem central nos Mistérios de Lisboa, romance de Camilo Castelo Branco, aqui explicado pelo actor que o representa no filme do realizador Raul Ruiz. É o padre que se cruza com todas as pessoas e toca o mistério do amor e da morte mais de perto.

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/teHdZ9P5JwZAlIsvUh6c/mov/1

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O encontro entre o chileno Raul Ruiz e o português Camilo Castelo Branco não estava escrito nas estrelas. Mas aconteceu e Ruiz levou para a tela o romance oceânico de Camilo, Mistérios de Lisboa. Livro longo, filme comprido: quase quatro horas e meia de projeção que, acreditem, não cansa ninguém. Pelo contrário. Por incrível que pareça, quando
termina, ficamos com a sensação de que perdemos alguma coisa, que estamos nos despedindo de personagens que gostaríamos de continuar a conviver. Não vemos um filme como este; moramos nele.

Não é a primeira vez que Ruiz enfrenta obra desse porte. Encarou ninguém menos que Proust, mas a verdade é que, dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, escolheu apenas o último – O Tempo Redescoberto (Le Temps Retrouvé) – que ele adaptou em “apenas” 162 minutos. Quer dizer, Ruiz não tem receio da duração. Quando a obra pede, ele concede o tempo que for necessário. Mas são durações diferentes. Em Proust, o tempo é a própria matéria sobre a qual a obra reflete, uma construção da memória que, através de personagens e acontecimentos, indaga, finalmente, sobre a sua própria natureza.

Em Mistérios de Lisboa, estamos na dimensão mesma dos acontecimentos. O filme dura tanto porque a quantidade de coisas que acontecem assim o exige. A profusão de personagens, as peripécias, as coincidências, a multiplicidade de personalidades contraditórias que se escondem sob uma única máscara – tudo isso pedia um fluir mais pausado, sem pressa, atento aos detalhes, como a navegação de um rio muito longo, que se cruza com atenção ao que se passa em suas margens. Para curtir o filme é preciso colocar-se nessa disposição, digamos, fluvial. Sabendo que, quando se está entregue ao sabor das águas, toda a pressa se revela
inútil. Então, é relaxar, e curtir a paisagem. A recompensa será enorme.

Inútil dizer que Mistérios de Lisboa é folhetinesco, se a palavra implicar um sentido pejorativo, como se folhetim fosse coisa menor. Porque a obra é mesmo um folhetim. Foi publicada em livro em 1854, quando Camilo tinha 29 anos (é seu segundo romance), mas saíra antes, em capítulos, no jornal O Nacional, do Porto. No dizer de Camilo, ao apresentar sua obra, este não é um romance, mas “um diário de sofrimentos, verídico, autêntico e justificado”. Um crítico, Alexandre Cabral, diz, com justeza, que Camilo apaixona-se pela “mórbida complexidade sentimental da humanidade”. E, de fato, a história comporta cupidez material, ciúmes, assassinatos, incesto, um mundo bruto, cru, distante da espiritualidade que o romancista iria buscar em outras obras.

Esse frenesi de acontecimentos é o que torna empolgante a trajetória de Pedro da Silva, os desvarios do padre Diniz, esse sacerdote vicioso, que julgava só haver dois lugares no mundo dignos de um homem de verdade – o claustro e a guerra. Não faltam também uma condessa ciumenta e ávida por vingança. E nem mesmo um pirata. A ação, que é desenvolvida num longo flash back, a partir de um manuscrito deixado por um moribundo, se passa em Lisboa, mas também em vários outros países, inclusive no Brasil. É um gigantesco painel do mundo (da Europa, em particular) no século 19, mas em registro pouco realista. E há, sobretudo, este Pedro da Silva (Afonso Pimentel) um personagem em busca de sua própria identidade.

Tudo isso colocado na tela com o rigor conceitual que Raul Ruiz costuma emprestar aos seus filmes, que contém sempre algo de misterioso, de oculto, como se os personagens, ou melhor, a relação entre eles não se desse nunca num plano de clareza e racionalidade. Há disso já no folhetim de Camilo. Ruiz realça essa característica com um estilo de filmagem que, em boa parte do tempo, nos evoca o caráter fantasioso de toda recordação – por mais verídica que se proponha a ser. Mistérios de Lisboa, como Carlos, de Olivier Assayas, foi concebido em formato duplo.
É o filme que vemos, com suas 4h26 e também uma minissérie, concebida em seis capítulos de 1h cada. No meio de uma mostra gigantesca, mas formada em boa parte por filmes que acabarão por entrar em cartaz, Mistérios de Lisboa é um dos poucos programas imperdíveis de fato.
Ninguém pode ter certeza de ver este filme no circuito comercial. Ou na TV. Melhor correr e garantir ingresso.

Luiz Zanin

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/diario-da-mostra-2010-misterios-de-lisboa/

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filme baseado na obra de Camilo Castelo Branco

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