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Posts Tagged ‘Cinema Camiliano’

O novo filme do cineasta Manoel de Oliveira, “O velho do Restelo” começou a ser rodado  junto à casa do realizador, na Cidade Invicta, junto à Foz, conta com a participação dos atores Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Mória e Mário Barroso, a partir do argumento assinado pelo realizador de 105 anos.

“O Velho do Restelo” inspira-se na personagem pessimista e derrotista de “Os Lusíadas” e associa-lhe uma leitura pessoal de textos de Miguel de Cervantes, Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco, além de excertos de filmes anteriores do próprio realizador.

Trata-se de um filme sobre «um presente suspenso da realidade» da crise económica que se abateu sobre Portugal e é baseado em partes do livro “O Penitente”, de Teixeira de Pascoaes, que evoca as diferenças entre Cervantes e Camilo Castelo Branco.

Luís Miguel Cintra vai dar corpo a Camões, Ricardo Trepa encarnará a personagem D. Quixote, Diogo Dória o escritor Teixeira de Pascoaes e Mário Barroso será Camilo Castelo Branco.

” Pascoaes e D. Quixote, cada um trajando à sua época, cada um sentado na sua extremidade de um banco de pedra. A eles irão juntar-se Camilo Castelo Branco e Camões”.

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O que o filme de Mário Barroso tem de especial não é só a excelência da fotografia, do casting e da direcção de actores. É também a forma inteligente de transpor a intrasponível obra de Camilo para a actualidade. E isso não se faz apenas transformando o ferrador João da Cruz em garagista, ou as missivas que pingavam melodramatismo e romantismo do século XIX em telemóveis… Isso consegue-se fazendo um copy do espírito do livro. Depois um drag and drop em cima da actualidade, e finalmente um paste. Parece fácil, não é?

Nas margens de todas as literaturas do mundo há-de lá estar o tal imprecador das ousadias, invectivador das transgressões, a lançar avisos e apelos, que regressem as naus, que não, não vão por aí, que não se naveguem nas linhas intocáveis dos clássicos.

Por ali, ao sabor das vagas, agarrados a insufláveis de borracha, hão-de estar estes seres flutuantes, temerários, que se deixam ir com a corrente, e nem pensar em remar contra a maré, que se sentem afundados ao peso de um livro como Amor de Perdição. Pensam que naufragam de tédio e erudição, ainda por cima, vinda de autor solene, vagamente assomado nas aulas, de ar severo, humores funestos, lunetas e fartos bigodes à século XIX.

Os arautos da ortodoxia literária bramam, os seres flutuantes alardeiam, o filme de Mário Barroso (estreia-se dia 23), «livremente inspirado» na obra-prima de Camilo Castelo Branco, passa…

E passa ao largo de polémicas, e discussões retóricas, que o realizador e director de fotografia (esta é a sua segunda longa), que há 42 anos vive em Paris, e já participou em 138 filmes, não gosta de se posicionar nestas contendas, entre o que é cinema comercial e o que é cinema de autor. Prefere, diz, deixar isso para os teóricos, críticos e pensadores do cinema. «Embora sem pretender ser pretensioso, nem justificá-lo intelectualmente, diria que a procura da diferença não é uma má coisa. Só isso preservará o cinema. Se eu fosse pelo caminho do cinema globalizado, há muitos que o fazem melhor do que eu». Depois de Milagre Segundo Salomé (2004), baseado no livro de José Rodrigues Miguéis, surgiu-lhe a hipótese de adaptar outro autor português. Pensou de imediato em Amor de Perdição. E não foi uma decisão extravagante. Este é o clássico português com mais adaptações cinematográficas e teatrais. Não foi só por ser a versão do romantismo português de Romeu e Julieta. Ou um paradigma do amor total, em toda a sua intensidade e tragédia. Ou «a mais dilacerante novela passional da literatura portuguesa» (Vasco Graça Moura). Ou «um poema de revolta, obstinação e desespero» (Jacinto Prado Coelho). O próprio Camilo, prevendo «o riso realista perante aljofaradas lágrimas românticas» chamava-lhe «romance declamatório, com bastantes aleijões líricos, e umas ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo». Embora com a «boçal inocência de não devassar alcovas»: podia ser lido pelas senhoras sem se ruborizarem.

A verdade é que Amor de Perdição (e esta é uma das explicação para atracção que exerce sobre os cineastas) é uma espécie de romance perfeito, com a linha da narrativa aristotelicamente desenhada, mantendo a sequência de acontecimentos encadeados, numa unidade de tom, ritmo e estrutura. De escrita certeira e musculada, sem adiposidades nem redundâncias celulíticas . A caracterização das personagens é feita em duas penadas (esta é uma expressão cronologicamente adequada), e segue-se a uma velocidade torrencial para o que interessa: a acção, as altas cenas de pancadaria, bordoada da grossa, os pais tiranos, o amor levado à hipérbole, as reclusões conventuais, as freiras viciosas, as mortes à queima-roupa… Ainda os irmãos Lumiére não eram sequer embriões, já Camilo escrevia em 15 dias esta obra cheia de cinema lá dentro, como uma sequência de cenas num guião. Convidado a comentar no JL a atracção permanente sobre este romance, num país em que a maior parte dos homicídios são passionais, o filósofo José Gil, chama-lhe «thriller de afectos e paixões». Conta-se que, quando Manoel de Oliveira pediu subsídio para seu projecto de adaptação (estreado em 1979), lhe perguntaram pelo guião. Ele estendeu o livro e respondeu: «Está aqui o guião». Amor de Perdição faz parte daquela categoria de livros, que, segundo Oliveira, quando se sacodem, não cai nada, nem um capítulo nem uma palavra, porque nada lá existe de acessório. E então, filmou tudo, literalmente linha a linha, com o narrador em voz off. As próprias circunstância em que Camilo o escreveu são fílmicas. Estava então (1861), com 35 anos, encarcerado na Cadeia da Relação do Porto, por dormir com a mulher de outro (Ana Plácido, 31 anos). A escrita sobre sofrimentos amorosos alheios, de faca e alguidar, ter-lhe-á servido de catarse, Camilo sangrava através da pena.

A história tem a simplicidade de um what if hitchcockiano: boy meets girl. E depois tudo corre mal. Camilo remonta a acção a 1780, «ainda os apóstolos da revolução não tinham podido fazer reboar o trovão dos seus clamores neste canto do mundo». O casal de apaixonados são espíritos mortificados, fidalgos beirões, andam de liteira, habitam palacetes, e estão cercados de criadagem… No filme, Barroso acrescenta-lhe o artigo indefinido – Um Amor de Perdição – e as personagens são miúdos de liceu, de agora, mais parecidos com personagens de Gus Von Saint (na sua fase pré-Milk), embora se lhes note o brilho febril do fanatismo que todos os adolescentes carregam. E é isso que é fascinante no filme de Mário Barroso, a sua brilhante capacidade de verter para os dias de hoje um enredo de amores funestos, honra e pundonor (que é uma palavra que já nem consta dos correctores ortográficos dos computadores) – sem nunca parecer ridículo. Porque, explica Barroso, os adolescentes são iguais em todos os tempos, ferve-lhes o sangue, desafiam o mundo, são um contra todos. Só que no tempo de Camilo os pais aprendiam-lhes o tinteiro, agora confiscam-lhes o telemóvel.

Outro aspecto muito bem conseguido no filme: permite uma dualidade de visões. Tanto pode ser olhado por teenaagers, que nunca se leram em Camilo, como pode ser sondado, à procura de Camilo em cada canto, em cada plano, como quem procura um Wally numa multidão. E o engraçado é que o escritor severo, polemista devastador, de lunetas e cartola anda por ali, pelos ginásios de um liceu do século XXI, por aquelas travessias de Lisboa em motorizada, por aquela família meio disfuncional (vivem juntos mas nunca em conjunto), num canário morto como uma premonição, num cruxefixo na parede, no mais anacrónico graffiti da história do cinema: «A submissão é uma ignomínia». Nenhum adolescente fala assim, mas todos os adolescentes pensam assim. E se todos os bons filmes têm um plano ou uma frase-chave, que o condensa em si, então todo Um Amor de Perdição pode resumir-se no título deste artigo. É a insolência do desafio. Ponto. Ou, nas palavras de Camilo, o «arrebol dourado e escarlate da manhã da vida»! As louçanias do coração que ainda não sonha em frutos, e todo se embalsama no perfume das flores». «Sempre defendi que o cinema é coisa de adolescentes», afirma Barroso, que lembra …

No filme Simão Botelho é um arruaceiro de classe alta. No filme Simão (magnífica estreia de Tomás Alves) é um arruaceiro de classe alta. No livro, Simão gosta de andar por Coimbra a semear desacatos, insulta os habitantes, provoca-os «à luta com assuadas», emprega em pistolas o dinheiro dos livros, parte cântaros e cabeças de trinta aguadeiros na ensanguentada cena da fonte… No filme arremete contra os porteiros das discotecas do Cais do Sodré. Barroso retirou todos os elementos nortenhos (o guião é de Carlos Saboga). Não lhe interessavam. Quanto muito aventou a hipótese de situar a história ainda mais a Sul, no Alentejo, para «filmar fisicamente o calor». Ficou-se por Lisboa. Também desinteressou-se quase por completo de Teresa Albuquerque, a anémica fidalga da janela, que escreve cartas maravilhosas e juramentos de constância. Ela (Ana Moreira) é uma espécie de reflexo, quase não aparece, não se revela, é uma representação. O realizador chegou a ponderar não a mostrar de todo, torná-la algo abstracto, que sustentasse a ideia de que poderia nem existir, senão na mente delirante de Simão, apaixonado pela ideia de estar apaixonado. Mas acabou por resumi-la a breves aparições, como uma miúda «um bocado apanhada» lá do liceu, com excesso de protecionismo paterno (brevemente protagonizado pelo próprio Mário Barroso).

Na era do Facebook e da Internet, os dois são impedidos de comunicar. A total ausência de contacto físico entre os dois amantes é compensada no filme pela ambiguidade sexual, entre a mãe (Ana Padrão) e o filho mais velho (Rafael Morais), ou entre o próprio Simão e a irmã mais nova (Patrícia Franco). A insinuação de incesto não está em Camilo, «mas pensei que talvez pudesse estar no seu espírito», diz Barroso. Se a dupla Simão e Teresa se alimenta de puro platonismo e obstinação, já o par Simão e Mariana (Catarina Wallenstein) transborda de química e sensualidade. Mas isso já está em Camilo. É como se Simão amasse em separado, a parte física em Mariana, a parte espiritual em Teresa.

Se em Lobos (2008), de José Nascimento Catarina Wallenstein era uma promessa do cinema português, em Um Amor… é um valor acrescentado. No livro, a abnegada Mariana é descrita como «moça de 24 anos, formas bonitas, um rosto belo e triste», cobiçada por um carcereiro: «Bem mais bonita do que a fidalga», atira, à sua passagem. No livro e no filme, ela é de outra de condição. No século XVIII, filha de ferrador, hospitaleiro homem que contém crueldade e fidelidade em idênticas proporções, anda sempre com ganas de pregar com a cabeça de alguém numa esquina, e recita um ditado: «Morrer por morrer, morra o meu pai que é mais velho». No século XXI, filha de um garagista (Virgílio Castelo), não tão rude nem não tão sanguinário, mas com experiência de vida e de morte, suficiente para tratar em casa a ferida de um Simão baleado. No livro diz o pai à filha: «Cura-a com vinagre e mais vinagre, quando ela estiver assim a modo de roxa»

Para além do casting, onde todos os actores combinam e os pares são compatíveis (e quando o casal do filme «não funciona» o filme acabou), Barroso têm um cuidado especial com a apresentação das personagens. Rapidamente, sem rodeias, com a mesma secura de meios, com que fez Camilo. Mariana aparece de vestido vermelho numa discoteca, e em seguida de fato de macaco. Simão, surge de súbito no ginásio, mal acompanhado por «chungas» de capuz à rapper. E, de uma só cajadada, interrompe a peça que a turma está a ensaiar (Romeu e Julieta) e o sexo clandestino e homossexual do irmão Manuel. Não é por acaso, que Barroso lhe concede um quarto, na casa da família burguesa, em Sinta, completamente despojado e monascal. E que coloca na parede, a surgir de relance, um cartaz de um homem-bomba palestiniano. Simão é um fundamentalista do amor. «A sua revolta contra a sociedade, o seu radicalismo destrói tudo e todos à sua volta. É assassino, homofóbico, tem uma intolerância quase talibanesca. Tudo em que toca seca», comenta o realizador. Ele sente a impaciência de um tigre dentro de graders, tão depressa incita Teresa a matar-se, como a tranquiliza. Às fases de bonança de espírito sucedem-se grandes tempestades, grandes raivas, projectos de vingança. Mas por outro lado, é um herói puramente cinematográfico, um misto de James Bond, com Clint Eastwood, nos filmes de Serge Leone, e Humprey Bogart no Casablanca. Quando o ferrador João da Cruz o assusta intencionalmente e exclama: «O senhor nem sequer mudou de cor», ele responde: «Eu nunca mudo de cor, senhor João». Quando o espera o patíbulo, e o Meirinho o incita a fugir, ele retorque: «Eu não fujo». Amor é fogo que arde, e ele queima-se na sua própria combustão. Porque é assim, desvairado, inabalável, destrutivo. Ainda leva muito a sério estas coisas da paixão. Até ao sacrifício total. De alma e corpo.«Amou, perdeu-se e morreu amando»

Fonte: blogue Final Cut cinema

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Imagem Camilo Castelo Branco: Julio Pomar in Estudos para o Romance de Aquilino Ribeiro

ver mais aqui CCB

PROGRAMA pdf

22-10-2012 A 27-10-2012
CAMILO CASTELO BRANCO: AS PAIXÕES JUVENIS E O AMOR DE PERDIÇÃO

O Centro Cultural de Belém, a Casa de Camilo de S. Miguel de Seide / Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Plano Nacional de Leitura, o CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa –, o Teatro Nacional de São Carlos e o Centro Nacional de Cultura, vão comemorar os 150 anos da publicação do Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco.

ciclo CCB no CCB – Camilo Castelo Branco: As paixões juvenis e o Amor de Perdiçãoconta com uma vasta programação, que vai da literatura ao cinema, passando por mesas-redondas, conferências, debates com professores e estudantes, programas musicais, uma feira do livro e duas exposições: uma de iconografia e bibliografia camilianas da colecção da Casa de Camilo e outra do pintor Júlio Pomar, que apresentará os desenhos que fez para a edição do livro O Romance de Camilo, de Aquilino Ribeiro.Consulte o PDFPreços
Entrada Livre (excepto filmes, conversa e espectáculo), sujeito à lotação da sala
Assinatura para os quatro filmes 10€
Conversa com Pedro Abrunhosa 5€
Espectáculo Maria Ana Bobone 10€
Bilhete filme 3,5€

22 de Outubro | Abertura do Ciclo | Inauguração das exposições

 Exposição
Júlio Pomar: Estudos para O Romance de Camilo de Aquilino Ribeiro
Galeria CCB
Dia 22 de Outubro às 17:00
De 23 de Outubro a 19 de Janeiro de 2013 das 14:30 às 18:30

Consulte o PDF

 Exposição
“Versões de um Amor de Perdição” 
Exposição Camiliana da Casa de Camilo
Centro de Reuniões às 17:00
Até 31 de Outubro

● 
Conferência
O Livro das intensidades por Maria Alzira Seixo
Sala Almada Negreiros
Dia 22 de Outubro às 17:45

 Mesa-Redonda
Isabel Rocheta (moderadora) | Helena C. Buesco | Abel Barros Baptista | Jorge Filipe da Ressurreição | Rui Lage
Sala Almada Negreiros
Dia 22 de Outubro às 18:30
 

 Exibição filme
Amor de Perdição, de Georges Pallu, 1921
Banda Sonora ao Vivo Nicholas McNair
Pequeno Auditório às 21:00

 Prós e Contras – RTP 1
Camilo Castelo Branco
por Fátima Campos Ferreira
Casa do Artista às 22:00

23 de Outubro | Camilo Castelo Branco e o Cinema

 Conversa
Amor de Perdição:  o cinema no labirinto do melodrama
João Lopes com Maria de Medeiros, Margarida Gil e Graça Castanheira
Sala Almada Negreiros às 18h00

 Exibição filme
Amor de Perdiçãode António Lopes Ribeiro, 1943
Pequeno Auditório às 21:00

24 de Outubro 

 
Professores e alunos em debate
Amor de perdição na perspectiva dos amores juvenis de hoje 
Coordenação de Daniel Sampaio
Professores e alunos em debate: «Amor de perdição na perspectiva dos amores juvenis de hoje»
Com a participação das escolas: Escola Secundária D. Pedro V, Escola Secundária Rainha D. Leonor, Escola Secundária Vergílio Ferreira, Escola Secundária de Camões, Escola Secundária Professor José Augusto Lucas e Escola Secundária de Gil Vicente.
Pequeno Auditório às 15:15m 

 Mesa Redonda
Fernando Pinto do Amaral | Daniel Sampaio | Margarida Braga Neves
Pequeno Auditório

 Exibição filme
Amor de Perdição, de Manoel de Oliveira, 1978
Pequeno Auditório às 19:00

25 de Outubro 

 Conferência
A actualidade de Amor de Perdição: amores de ontem e de hoje
por Daniel Sampaio
Pequeno Auditório às 18:00

● Exibição filme
Amor de Perdiçãode Mário Barroso, 2009
Pequeno Auditório às 21:00

26 de Outubro | Camilo Castelo Branco e a Música

 Conversa
A Canção: do Amor à Perdição
Conversa com Pedro Abrunhosa
Pequeno Auditório às 18:00

 Lançamento
Camilo Íntimo: cartas inéditas de Camilo Castelo
Branco ao Visconde de Ouguela
com a presença de:
Prof.ª Doutora Annabela Rita
Prof. Doutor Bigotte Chorão
Arqt.º Campos Matos
Sala Fernando Pessoa às 19:00
 

  Espectáculo 
Fados de Perdição
por Maria Ana Bobone
Pequeno Auditório às 21:00      

27 de Outubro 
 Apresentação: As biografias de Camilo por Maria Antónia Oliveira
 Documentário: Camilo e Outras Vozes, de Carlos Brandão Lucas
 Apresentação: A Casa de Camilo por José Manuel de Oliveira
 Palestra: O processo de adultério de Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, por Laborinho Lúcio
● Conversa: Conversa com dois leitores de Camilo Castelo Branco: José Pacheco Pereira e Manuel Carvalho da Silva
Das 15:00 às 19:00 Sala Almada Negreiros

 Feira do Livro – Organização Jazz
Das 15:00 às 19:00
CCB FORA DO CCB
Roteiros Camilianos com José Manuel de Oliveira
21 de Outubro
Roteiro Camiliano em Lisboa
Centro Nacional de Cultura
Das 10:00 às 13:00

28 de Outubro
Roteiro Camiliano no Porto
Centro Nacional de Cultura
Das 10:00 às 13:00

30 de Outubro
Conferência: O Amor de Perdição na forma de espectáculo: Adaptações e
versões no Teatro, no Cinema, na Ópera e no Bailado
por Duarte Ivo Cruz
Teatro Nacional de São Carlos às 18:00
Inscrições limitadas
Centro Nacional de Cultura
Tel: 213 466 722
E-mail 
alexandra.prista@cnc.ptCom a colaboração da CINEMATECA PORTUGUESA – MUSEU DO CINEMA

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Via Scoop.itCamilo Castelo Branco

Tem início este domingo o ciclo de cinema “Amor de Perdição, no âmbito do …Guimarães Digital2012 é o ano em que se celebra a CEC em Guimarães mas é também o ano em que se celebram 150 anos de aniversário da obra mais famosa de Camilo Castelo…

Via www.guimaraesdigital.com

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O filme Mistérios de Lisboa venceu o prémio de Melhor Filme Estrangeiro na edição deste ano dos Golden Satellite Awards, atribuídos pela International Press Academy. Os inúmeros galardões e elogios que a premiada obra-prima de Raúl Ruiz tem recebido tornam-na já no filme mais premiado e reconhecido da história do cinema nacional.

Mistérios de Lisboa saiu vencedor de uma lista de nomeados de peso que incluía filmes como Faust, de Aleksandr Sukorov (Leão de Ouro 2011), O Miúdo da Bicicleta, dos irmãos Dardenne (Grande Prémio do Júri – Cannes 2011) ou Uma Separação, de Asghar Farhadi (Urso de Ouro 2011).

A International Press Academy, que reúne centenas de jornalistas americanos e estrangeiros radicados nos Estados Unidos, havia ainda nomeado Isabel Branco nas categorias de Melhor Direção Artística e Melhor Guarda-Roupa pelo seu trabalho no filme.

Mistérios de Lisboa tem sido alvo de um reconhecimento internacional sem precedentes na carreira de um filme nacional.

Apenas nas últimas semanas e depois de a prestigiada Associação de Críticos de Cinema de Nova Iorque ter decidido entregar o seu Special Award a Raúl Ruiz, também a Associação de Críticos de Cinema de Toronto reconheceu o talento do mestre chileno ao considerar a longa como o Melhor Filme Estrangeiro do ano.

A estreia em Inglaterra da obra-prima de Raúl Ruiz, que teve lugar a 9 de dezembro, reforçou ainda mais o acolhimento excecional deste filme.

Importantes publicações inglesas, como The Guardian, The Times, The Independente, The Telegraph, Sight&Sound,Time Out London ou London Evening Standard, assinalaram a estreia com os mais rasgados elogios.

Mistérios de Lisboa já conquistou a Concha de Prata de Melhor Realizador no Festival de San Sebastián, o prestigiado Prémio Louis Delluc, o Prémio da Crítica no Festival de Cinema de São Paulo, e foi ainda nomeado para o Prémio Lux do Parlamento Europeu.

A adaptação da obra de Camilo Castelo Branco já teve estreia comercial em França, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Taiwan, Suíça, Bélgica e em breve estreará no Japão e no México.

Fonte: TVNET.PT

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Documentário sobre o autor romancista Camilo Castelo Branco feito por Julia Salmazo, Ana Harumi, Karina Evelyn, Lindisei Maélini e Regina Silva,


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Na consagração de ‘Mistérios de Lisboa’

Há qualquer coisa de doentio no modo como os graves e complexos problemas do cinema português (a começar pela sua estrita sobrevivência económica) são tantas vezes dirimidos como um inapelável conflito entre “arte” e “comércio”. Pensemos no contraponto com que nos desafiam os americanos. Desde a paternidade simbólica de David S. Griffith (1875-1948), os EUA, não por acaso detentores da mais poderosa cinematografia do planeta, compreenderam que aqueles dois elementos não são estanques nem necessariamente opostos no seu funcionamento. Em boa verdade, são insuficientes, para não dizer incorrectos, para descrever a dinâmica de qualquer contexto de produção.

O que está em jogo, entenda-se, não é nenhuma filosofia pueril para fazermos “à maneira de” (sabemos, aliás, o desastre que são a esmagadora maioria das imitações do cinema americano por europeus). Trata-se de não perder nenhuma oportunidade para valorizarmos e rentabilizarmos (em todos os sentidos) as conquistas reais da produção cinematográfica portuguesa.

A atribuição do Prémio Louis Delluc, em França, ao filme Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz, é uma dessas oportunidades. Antes do mais, como é óbvio, porque consagra um extraordinário trabalho de reconversão da escrita de Camilo Castelo Branco, subtilmente “cinematizada” pelo argumentista Carlos Saboga e, depois, admiravelmente encenada por Ruiz. Mas também porque na sua assinatura de produção surge o nome de Paulo Branco, um dos que mais consistentemente tem apostado na pluralidade do cinema português e também nas suas ramificações internacionais (Branco está a produzir, por exemplo, o filme Cosmopolis, de David Cronenberg).

Uma das manifestações mais estúpidas que, não poucas vezes, atravessa o debate (?) sobre o cinema português é a que obriga a estar “pró” ou “contra” Paulo Branco. Aliás, a infeliz memória colectiva dos portugueses já esqueceu que, não há muitos anos, se promovia a mesma estupidez, com toda a carga de insinuações e chantagens, em torno do nome de Manoel de Oliveira. A questão é outra, é sempre outra. O modelo de Paulo Branco não é “bom” nem “mau”, muito menos “universal”. A questão, como sempre, está nos detalhes. E que Mistérios de Lisboa ganhe um dos prémios mais importantes de todo o espaço europeu do cinema (já atribuído, entre muitos outros, a Robert Bresson, Jean-Luc Godard e Alain Resnais), eis um detalhe interessante.

Compreendemos, assim, que é possível fazer uma produção criativa e ousada que não se submeta ao império da ficção “telenovelesca”. Mais ainda: compreendemos que é possível manter uma relação viva com a televisão (Mistérios de Lisboa passará também, como mini-série, na RTP) sem ceder à mediocridade dos seus padrões dominantes. Não é cómodo reconhecê-lo, mas este Prémio Louis Delluc ecoa, no espaço português, como um facto eminentemente político.

 

por JOÃO LOPES

Fonte Diário de Notícias

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