Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Estudos Camilianos’

(…) Corria o anno de 1697. Francisco Luiz d’Abreu, doutor em medicina, mudára sua residencia para Coimbra, esperançado em entrar no magisterio, conforme lh’o promettiam sua capacidade, vasto saber e creditos. Tinha casado, quatro annos antes, com Francisca Rodrigues de Oliveira, filha de abastados judeus de Ourem. Não tinham filhos; mas dos braços de um ao outro saltava um menino de cinco annos, chamado Braz, acariciado com blandicias de filho. A creança tratava de padrinho o doutor, e á senhora chamava mãe. A esposa do medico, privada do goso de se ver assim amimada nos labios de anjo desentranhado de seu seio, jubilava de lhe ouvir aquelle doce nome de mãe, e toda se estremecia de maternal ternura chamando-lhe seu filho.

(…) Relatava-lhe a perseguição que os Oliveiras de Ourem estavam soffrendo, desde a fuga na náo da carreira da India, e o certo perigo que corria a creança, se levissimas suspeitas o indigitassem como filho de Francisco de Abreu.

(…) O israelita de Ourem ia triste. Dir-se-ia que nunca elle, até á vespera d’aquelle dia, devéras se convencêra da morte do seu Antonio de Sá. Tantos annos idos, e elle ainda a querer-lhe e como que a esperal-o! Já o seu contemporaneo Barreto lhe havia dito na summa o que Braz de Abreu lhe dissera, e todavia o convencimento da morte do marido de D. Maria não o tinha ainda penetrado, ao que parecia.

in “O Olho de Vidro“, de Camilo Castelo Branco

Anúncios

Read Full Post »

olhovidro.jpg 

Braz Luiz de Abreu foi um famoso médico oureense de origens  judaicas que o notável romancista Camilo Castelo Branco imortalizou na sua novela “Olho de Vidro”, precisamente a alcunha pela qual era conhecido. Esta novela descreve também a vida da comunidade judaica de Ourém e, por conseguinte, relata uma parte importante da nossa história local cujo estudo está ainda por se fazer.

Numa altura em que se prepara a realização do Festival Internacional de Cinema de Ourém que irá realizar-se sob o signo da tolerância, a novela “O Olho de Vidro” de Camilo Castelo Branco bem poderia constituir um excelente argumento para a realização de uma produção cinematográfica. Uma tema, aliás, da maior oportunidade atendendo não apenas à sua projecção internacional como ainda à possibilidade de divulgação de um dos maiores escritores da Língua portuguesa, precisamente numa altura em que foi incompreensivelmente afastado dos manuais escolares.

O Olho de Vidro” é um romance histórico escrito pelo notável escritor e novelista Camilo Castelo Branco. A história baseia-se
na vida atribulada do médico oureense Brás Luis de Abreu. De origens judaicas, este nasceu em Ourém, a 3 de Fevereiro de 1692, tendo sido exposto em Coimbra. Porém, consta que foram seus pais Francisco Luiz de Abreu e Francisca Rodrigues de Oliveira. A sua vida foi sempre marcada pela perseguição que o Santo Ofício exerceu sobre aqueles que dele cuidaram na sua infância, concretamente os judeus que a esse tempo tiveram de abandonar o país e, após muitas desventuras, vieram a fixar-se na Holanda onde ergueram a famosa Sinagoga Portuguesa de Amesterdão que constitui uma das principais referências daquela cidade. De resto, a comunidade judaica registou a sua presença em Ourém onde, aliás, se preservam testemunhos e se podem ainda identificar algumas famílias de origem judaica, agora plenamente integradas na sociedade portuguesa e na vida local.

Brás Luis de Abreu foi autor do tratado “Portugal médico ou Monarquia médico-lusitana” e “Sol nascido no Ocidente e posto ao nascer do Sol. Santo António Português” entre outras obras. Conhecido por “Olho de vidro”, Brás Luis de Abreu inspirou o escritor Camilo Castelo Branco quando este escreveu a novela “O Olho de Vidro”, adoptando precisamente para título a alcunha do afamado médico oureense. Desse romance, transcreve-se seguidamente algumas passagens nas quais o escritor faz referência directa a Ourém:

Ás dez horas da noite seguinte, Francisco Luiz e o seu amigo sairam de Coimbra, cada qual por diversa porta. O bemfeitor foi para Ourem, sua terra; o judeu da Guarda, por desvios escusos, entrou, decorridas duas noites de jornada, na abegoaria onde o esperava a mãe da creancinha, que bebia um leite aguado de lagrimas.

(…) Nas ferias d’aquelle anno, o lente simulou uma jornada a Ourem, sua patria, e foi em direitura a Lisboa. O santo officio de
Coimbra reparou na saida, e lançou pesquizas. Informaram-no de alguns processos de liquidação de patrimonios e venda de bens, que o doutor Abreu rapidamente negociára na terra de sua mulher. D’isto foi avisado o inquisidor geral, de modo que já em Lisboa o promotor instaurava processo, quando o lente alli chegou.

(…) Foi o doutor a Ourem, com ares de forasteiro que vê pelo miudo as mais e menos notaveis terras dos paizes. A casa onde elle
nascêra havia sido vendida pela corôa, para a qual tinha sido confiscada, depois que o dono fôra queimado em estatua. Estava sendo estalagem. Pernoitou n’ella; dormiu no quarto de sua mãe… não dormiu: chorou por todo o correr da noite vagarosa. Antes que a primeira luz do seguinte dia apontasse, saiu do quarto onde nascêra e morrêra sua mãe, viu de passagem o quarto que fôra o seu, e d’onde agora saía outro viageiro madrugador.

(…) Francisco Luiz encarou n’elles com desprezo: não podia ser de piedade, nem de odio aquelle sorriso que entre-abriu os beiços do velho judeu de Ourem.

in Olho de vidro, Camilo Castelo Branco

 

Carlos Gomes
Fonte: blogue Auren  http://auren.blogs.sapo.pt/374978.html

Read Full Post »

Falam velhos manuscritos…[Periódico] / A. de Magalhães Basto . – (3 agosto 1934-16 outubro 1959) . – Porto : O Primeiro de Janeiro, 1934-1959 . – ; 30 cm.
4 Pastas com recortes de imprensa fotocopiados . – CC-FG L BAS/fal

 

 

O Porto desancado por Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 agosto 1934

 

Um Sujeito assaz instruido e que escreve com muito acêrto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 4 janeiro 1935

 

Não deixar “passar por águias burros enfeitados…” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 11 janeiro 1935

 

Tu quoque, Brutus!… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 18 janeiro 1935

 

A Gratidão de Soromenho / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 25 janeiro 1935

 

Três rapazes de talento / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 abril 1935

 

As Pupilas do Senhor reitor / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 abril 1935
A Casa de Camilo em S. Miguel de Seide / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 31 maio 1935

 

Notas à margem do punho de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 6 dez. 1935

 

Porque não foi Camilo nomeado Bibliotecário? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 17 janeiro 1936

 

Uma Vaga na Biblioteca Municipal! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 janeiro 1936

 

Carvalho e Araujo, 2º Bibliotecário do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 janeiro 1936

 

Amor de Perdição! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 junho 1936

 

 

Que há de verdade no “Amor de Perdição”? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 julho 1936

 

O Encontro de “duas realezas” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 julho 1936

 

Uma Confissão de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 14 agosto 1936

 

Da “conjuração mineira” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 20 novembro 1936

 

Um Processo-crime por ferimentos e bofetadas réu: Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 22 janeiro 1937

 

Camilo a contas com a Justiça! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 5 fevereiro 1937

 

A Pronúncia de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 fevereiro 1937

 

E pague o A. as custas em que o condeno / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 fevereiro 1937

 

Quem era o juíz que pronunciou Camilo? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 26 fevereiro 1937

 

À margem do Centenário da Politécnica / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 2 abril 1937

 

Camilo e o Bispo Alves Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 janeiro 1938

 

Camilo na Ponte da Pedra / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 10 março 1939

 

Dos famosos Guedes da casa da Costa / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 17 março 1939
Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho1939

 

O Antigo natal na minha terra! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 25 dezembro 1941

 

Por causa dela! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 23 janeiro 1942

 

As Duas “elas”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 30 janeiro 1942

 

Ridendo dicere verum… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 20 fevereiro1942

 

O Imperador do Brasil no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 fevereiro 1943

 

A Propósito da exposição do livro francês / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 9 abril 1943

 

O Portuense Braz Cubas / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 18 junho 1943

 

Camilo não sabia de que freguesia era… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 novembro 1943

 

Um “Mistério” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 novembro 1943

 

As Razões do “segredo” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 novembro 1943

 

A Propósito dum romance de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho 1944

 

Camilo e a “lutadora vitoriosa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 agosto 1944

 

O Pessimismo de Camilo e o Ateneu Comercial do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 dezembro 1944

 

Quem era D. Francisca Rebelo mulher de Simão Vaz de Camões / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 agosto 1946

 

História antiga…dos americanos do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 novembro 1946

 

A “Paixão” do nobre senhor do palecete de Santo António do Penedo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 22 novembro 1946

 

Para a história dum autógrafo do dr. Ribeiro Sanches / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 6 dezembro 1946

 

Habent sua fata libelli / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 20 dezembro 1946

 

Camilo, “Aurora” & Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 17 janeiro 1947
Mais “Aurora”, mais Camilo e sempre…Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 janeiro 1947

 

Camilo em Viana do Castelo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 31 janeiro 1947

 

Catarina Carlota Lady Jackson / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 fevereiro 1947

 

A Chegada de Lady Jackson ao Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 8 março 1947

 

Aspectos do Porto de há oitenta anos : ia eu dizendo que Lady Jackson gostou muito do Porto-da terra e da gente / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 março 1947

 

Ensaiando forças para as solidões do cárcere… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 março 1947

 

Camilo entra nos cárceres da Relação do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 abril 1947

 

As Cadeias da Relação do Porto em 1860 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 11 abril 1947

 

Uma Noite grande e triste! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 18 abril 1947

 

O Quarto em que foi escrito o Amor de Perdição / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 25 abril 1947
Ricardo Browne – o último elegante literário e intelectual que houve no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 13 junho 1947

 

Das festas do S. João / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 29 junho 1947

 

Houve de facto uma Maria da Fonte? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3 e 4. – 18 julho 1947

 

Um Documento inédito, cem por cento camiliano / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1947

 

S.A.R. Cosme de Médicis no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 abril 1948

 

Camilo e Cosme de Médicis / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 26 abril 1948

 

História e… romance / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 30 abril 1948

 

Recorda-se o Padre Luís de Sousa Couto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 10 dezembro 1948

 

Simão Botelho no romance e na história / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 11 dezembro 1948

 

O Enigma das causas da prisão do “Fidalgo do Bonjardim” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 25 novembro 1950
Terão tido os “Leite Pereiras”, do Porto, uma rainha na família? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 19 outubro 1951

 

Divagações sobre o Porto de 1877 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1951

 

Costumes portuenses no tempo dos “americanos” e… dos “eléctricos” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 janeiro 1955

 

Um Célebre “modelo de polémica portuguesa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 1 agosto 1958

 

A Agressividade e a bondade de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 15 agosto 1958

 

O Tâmega e o Pele na obra camiliana / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 agosto 1958

 

Uma Polémica de Camilo em que este teve a preocupação de naõ fazer “escamar” o seu antagonista / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 29 agosto 1958

 

Camilo e Oliveira Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 5 setembro 1958

 

O Demónio do ouro / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 20 fevereiro 1959

 

A Origem de “O Demónio do ouro” de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 6 março 1959

Dois botequins célebres no Porto do tempo do romantismo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 17 abril 1959

 

Dona Ana Plácido vende a sua casa da Rua do Almada / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 2 outubro 1959

 

Minudências biográficas de D. Ana Plácido e Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 9 outubro 1959

 

Uma Carta de D. Ana Plácido e a derrota do Dr. Bernardino Machado na sua primeira candidatura a deputado / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 16 outubro 1959

 

Read Full Post »

Bruxa do Monte Córdova conta-nos a história de Angélica, uma rapariga que, sendo “a mais formosa da sua aldeia”, a quem todos cortejam, envolve-se numa relação proibida. Com a morte do amante acaba por enfrentar sozinha o estigma da exclusão social e da intriga.

“bruxa do monte Córdova” era geralmente o nome injusto senão injurioso, com que ela atraía à choupana não só homens, mulheres e crianças endemoninhadas, mas também o gado, ou imundície, como lá dizem, para a todos estes irracionais curar de enfermidades excedentes do alcance das ciências médicas.

 A Bruxa do Monte Córdova conta-nos a história de Angélica, uma rapariga que, sendo “a mais formosa da sua aldeia”, a quem todos cortejam, envolve-se numa relação proibida. Com a morte do amante acaba por enfrentar sozinha o estigma da exclusão social e da intriga.

Publicada em 1867, esta novela Camiliana tem como pano de fundo a guerra civil que ocorreu entre 1831 e 1834, e opôs os defensores de D. Pedro I e da sua filha D. Maria II, liberais e constitucionalistas, aos defensores de D. Miguel I, os absolutistas e tradicionalistas. Mas a acção principal em si relata-nos uma história de amor trágico que define bem a época conturbada em que se vivia, falando principalmente da falta de carácter dos representantes da igreja, enquanto instituição, que incentivavam o fanatismo e o histerismo religiosos e davam azo a intrigas e convulsões sociais.

É uma obra que utiliza o mesmo arco estrutural e os mesmo elementos narrativos que Camilo utilizou na sua novela “A Doida do Candal”, apesar desta obra estar mais bem estruturada e de ter uma temática mais interessante. Contudo “A Bruxa do Monte Córdova” não foi o grande sucesso comercial que o autor espera que fosse, atribuindo ele depois a culpa ao facto de ter “excesso de filosofia” e de usar uma escrita mais rebuscada.

Read Full Post »

Aproveitando a comemoração dos 150 anos de lançamento do primeiro livro de poemas de Machado de Assis – Crisálidas, de 1864 -, pretendemos realizar eventos em quatro países para refletir sobre as relações entre o escritor brasileiro e Camilo Castelo Branco, já então um autor consagrado em nosso país e com um livro publicado em primeira edição no Brasil no ano anterior – Agulha em Palheiro. Além disso, durante os dois anos anteriores, Camilo, que muitas vezes escrevia tendo em vista o público de além-mar, e Machado publicaram em O Futuro – periódico de Faustino Xavier de Novais, editado em terras brasileiras.´

 Mesmo se os homens não têm relação pessoal alguma, os livros e as ideias circulam de um lado para o outro do Atlântico no tempo de Camilo Castelo Branco e de Machado de Assis. Assim se exportam para lá das fronteiras os questionamentos, relativos por exemplo à representação do real e à noção de verosimilhança em literatura, os modelos e os modos de difusão tais como o folhetim nos jornais, tornando-se a literatura accessível a todos graças a esta inovação francesa. Assiste-se nomeadamente à transferência rápida do modelo positivista para o Brasil ; neste país, tal como em Portugal ou em França, alguns, no final do século XIX, põem em causa o romance positivista, à semelhança de Camilo Castelo Branco e de Machado de Assis. 

Apesar de alguns críticos como Jacinto do Prado Coelho, Lélia Parreira Duarte, Marta de Senna, Agripino Grieco e Paulo Franchetti já terem defendido a aproximação entre as obras destes dois autores de grande ascendência nas literaturas de expressão de língua portuguesa, sobretudo pelo uso da ironia e da interlocução com o leitor, é ainda escassa a quantidade de pesquisas que tratam de forma mais aprofundada não somente das relações entre os dois autores, como também dos diálogos entre outros escritores e produções culturais dos países de expressão em língua portuguesa. Nesse sentido, os eventos tencionam alargar o horizonte de compreensão das relações entre as obras de Camilo e Machado e de outros escritores lusófonos, tanto do século XIX quanto do XX, trabalhando com outros aspetos que possam ser levantados a partir do diálogo entre eles.

Fonte: Aqui

Read Full Post »

Sérgio Guimarães Sousa, docente da Universidade do Minho, responsável pela organização da obra, destaca que “a figura feminina adquire diversas modalidades em Camilo e não se confina somente à representação tipificada pelo imaginário romântico, mulher-anjo e mulher fatal”. E acrescenta: “Existem diversas outras tipificações da mulher, algumas das quais nitidamente ancoradas na realidade contextual do Minho oitocentista”.

editado pela Câmara Municipal Vila Nova de Famalicão/Casa de Camilo
coleção Estudos Camilianos,9 (2014)

Read Full Post »

É um Camilo Castelo Branco já na idade madura e de há muito consagrado como romancista quem escreve a sua obra-prima, o Amor de Perdição, quando se encontra preso na Cadeia da Relação do Porto, sob a acusação de adultério com Ana Plácido e devido à sanha persecutória do marido desta, Manuel Pinheiro Alves.
Quem leia o livro e tenha também percorrido os autos do processo em que o escritor foi réu e a que já dediquei um pequeno ensaio há alguns anos, pode aperceber-se de duas dimensões distintas que radicam na situação do detido: por um lado, ele defende-se com unhas e dentes, negando a pés juntos a existência de uma qualquer sua relação ilícita com Ana Plácido, atitude que manterá até final do julgamento e para a qual já aventei uma hipótese explicativa; por outro lado, e baseando-se num caso de família cujo registo encontrou nos arquivos da prisão, escreve em poucos dias a mais
dilacerante novela passional da literatura portuguesa.
Pode ver-se uma conexão importante, conquanto discreta, entre estes dois aspectos em que, de algum modo, à negação sistemática em que a defesa baseou to da a sua estratégia, vem acrescer não propriamente uma «confissão» do arguido, mas um texto de profundo dramatismo sobre a intensidade e a tragédia do amor quando este tem de lutar contra os mais poderosos obstáculos sociais. O facto de a história de que arranca o enredo se ter passado com um tio do autor poderia até reforçar esta observação, na medida em que o situa como alguém em cuja família há precedentes dessa natureza.

Óscar Lopes fala algures da sacralização do amor na obra dos Românticos, e em especial na de Camilo, numa linha que, entre outros casos, também deriva do de Tristão e Iseu. No tocante ao Amor de Perdição pode todavia explorar-se mais esse parentesco.
A situação romanesca tratada por Camilo espelha o paradigma do amor total, de um amor desvairado e fatal, como o de Tristão e Iseu, incapaz de redenção neste vale de lágrimas, ou só susceptível de redenção pela morte. Transpondo do domínio da velha lenda medieval, tanto para o do incipiente capitalismo portuense como para o da prosápia altaneira e fidalga do interior do
país em tempos do Constitucionalismo, poderíamos buscar alguns paralelismos estruturais e ver que o Tristão-Camilo se apodera da Iseu-Ana Plácido, mulher do
Rei Marco-Pinheiro Alves, tal como o Tristão-Simão Botelho se perde de amores por Iseu-Teresa de Albuquerque, destinada pela palavra irreversível de seu pai ao Rei Marco-Baltasar Coutinho.
A morte não espreita os actores do drama judiciário que corria seus termos pelos tribunais do foro do Porto, mas recorta-se no horizonte dos protagonistas do romance como se estivesse a ser pressentida enquanto desfecho na vida real para aqueles, pelo menos como morte civil ou banimento, por força do escândalo, do meio social a que pertenciam.

Ler mais aqui 

Vasco Graça Moura

Prefácio “Amor de Perdição, editado Leya, 2008

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: