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Posts Tagged ‘Fotografias’

Apresentação 

Aqui todos os humanismos se excluem, e as teorias de bem-fazer, as racionalidades do progresso desencadeiam a mesma violência. Porque a civilização que puniu o delito com a pena foi a mesma que isolou a diferença e inventou para o homem incómodo o determinismo do normal e do patológico; determinismo que se afirma ou se branqueia, e substitui o crime pela tendência, o homem pelo tipo, a voz pelo silêncio.

Esta é a mostra de um corpo incógnito, que a História tipificou, retirando-lhe a realidade e o nome. E, porque no seu momento de cientificação, a história criminal é também a história da fotografia, esta é uma montra de solidariedades, entre a fotografia e a repressão: do que se esconde, se insinua, do que se revela e do que se constitui na aliança do judiciário e do fotográfico. É da natureza da fotografia cuidar da cândida garantia do seu valor de verdade, recolhido da sua tomada direta sobre a realidade. Mais do que qualquer outra, a relação da fotografia com as instituições policiais e judiciárias, esclareceu o que o fotógrafo sempre soube e, no fundo, sempre quis: que a fotografia só fala quando rodeada do simbólico, quando fruto de uma estética de representação que apela ao código social. Ao saber traduzir as ideologias judiciárias da diferença e da exclusão, através de cuidados modelos de degenerados, a fotografia tornou-se responsável pela aceitação dessas infelizes teorias, que ainda informam a nossa mentalidade.

Olhar, hoje, estes corpos de que a instituição judiciária se apropriou, obriga à descodificação paralela dos discursos ideológicos e da gramática técnica, estética e social que a fotografia introduzia, – e introduz, – no espaço aparentemente inócuo de uma reprodução verdadeira e direta do real.

Só estão estas imagens, no deliberado despojamento de pertença de todo o lugar físico e social que não seja a prisão, representam o pouco que podem representar, murmúrios sem memória, que atravessam o tempo e nos agridem.

Maria do Carmo Serén

Na sala de Exposições do Centro de Estudos Camilianos  encontra-se  um conjunto de 36 retratos de prisioneiros da ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, datados entre o ano de 1902 e 1918, para assinalar os 150 anos da primeira edição da obra “Memórias do Cárcere”, o emocionante testemunho da experiência do escritor Camilo Castelo Branco nas celas da Cadeia da Relação do Porto, nos anos 1846 e 1861.

Os retratos dos prisioneiros foram realizados no âmbito dos estudos da Antropometria (parte da antropologia que se ocupa da determinação de medidas nas diversas partes do corpo humano), tendo sido na Cadeia da Relação do Porto a instituição do primeiro posto antropométrico policial. A fotografia era um utensílio de trabalho da ciência policial e judiciária, permitindo a verificação da identidade dos detidos, que iria contribuir para descobrirem os reincidentes das cadeias, pois os presos tentavam tudo para não serem reconhecidos, já que a pena seria sempre agravada nestas situações.

Parceria com Centro Português de Fotografia

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Apresentam-se os trabalhos em material reutilizado, feitos por alunos do 5º ano do Colégio Integrado Monte Maior, em Loures.
Eram parte duma exposição intitulada Olhar Pró Boneco, onde estavam representados trinta autores lusófonos. Estes  são  alusivos ao escritor Camilo Castelo Branco.
Parabéns ao António Lourenço, coordenador do Departamento de Língua Portuguesa do Colégio, que trabalhou com os seus alunos do 6º ano excertos das Memórias do Cárcere, e com o 5º ano, a declamação do poema Os Meus Amigos, que até sabem de cor!

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Memórias Fotobiográficas – Camilo Castelo Branco (1825-1890) de José Viale Moutinho.

É uma antologia de imagens e textos de/sobre o autor do Amor de Perdição, coleccionadas com algum espírito criativo por José Viale Moutinho, outro ficcionista contemplado com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Brando, da Associação Portuguesa de Escritores.

É a homenagem de um escritor, o primeiro da classe dos escritores profissionais, a quem já tinha dedicado alguns outros livros e estudos.

Este volume, com mais de quatrocentas páginas e cerca de seiscentas imagens, entre fotografias, postais, documentos, é o exumar das sombras de rostos e lugares do século XIX, alguns deles chegando até hoje sob outras formas mas com rastos que se impõem. Trata-se de uma obra devida ao solitário de Seide, que contém materiais de extrema raridade, de algum modo composta ao gosto do principal interessado….

Editorial Caminho, 2009

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Marques Abreu, Vida Rústica – Costumes e Paisagens, 1924

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