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O Mundo Elegante (2)

O MUNDO ELEGANTE. — (Collecção de Historias, Biographias, Romances, Poesias e Dramas) redigido por Camillo Castello Branco. Ilustrado com os retratos de D. Pedro V, Princeza Amélia, Garrett, Rossini, e varias outras gravuras. Acompanhado de varias musicas para pianno, por Carli, Ribas, Moreira, Vianna e Dubini. Lisboa. Livraria de Manoel Antonio Campos Junior. 1863. 22,5×32 cm. 136 págs. E. Digo: O MUNDO ELEGANTE. Periodico Semanal, de Modas, Litteratura, Theatros, Bellas Artes, &c. Sob a protecção de Suas  Magestades Fidelissimas. Editores Proprietarios — Villa Nova & Emygdio. (Novembro de 1858–Fevereiro de 1860).

Curiosíssima publicação de Camilo Castelo Branco que lança este Jornal devido às enormes dificuldades na colaboração em jornais da época, por causa do escândalo a propósito da ligação amorosa com Ana Plácido (esposa de Pinheiro Alves).
No primeiro número pode ler-se:

“O Mundo Elegante será o mundo-patarata? Suspeita damninha que entra a inguiçar-me logo no principio! O mundo elegante é a sociedade polida, lustrosa, invernizada no corpo e no pensamento, na acção e na palavra, na intenção e na obra. Patarata quer dizer ostentação van. Elegamcia quer dizer escôlha. Poderão imparceirara-se as duas coisas n’um mesmo individuo, n’uma mesma classe? (…) O Mundo-Elegante faz-se para todas as caras possiveis, desde a botocuda até á georgiana; Para todas as intelligencias imaginaveis: Para todas as progenies admissiveis na ordem da propagação; Para todos as virtudes ainda as mais hypotheticas. (…) Um mundo assim elegante póde e deve ter um jornal, um como archivo dos seus fastos, uma especie de acta em que se vão escrevendo as phases da civilisação portuense. De hoje a cem annos, quando o Porto attingir o seu destino de maxima perfectibilidade, os nossos netos mostrarão este jornal como testemunho de uma civilisação remota. (…) Falta saber que este jornal abomina a sciencia. Aqui só se escrevem coisas que o leitor póde esquecer uma hora depois, com tranquilla consciencia de que não perdeu coisa alguma. Abjura-se tambem a satyra, e a critica. Cada qual póde fazer o que quizer, e viver como quizer. Respeita-se a ignorancia e o vicio: respeita-se tudo.”

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O Mundo Elegante (1)

MUNDO ELEGANTE (O)

O Mundo Elegante será o mundo patarata?
Suspeita daninha que entra a enguiçar-me logo no principio!
O mundo elegante e a sociedade polida, lustrosa, envernizada no corpo e no pensamento, na ação e na palavra, na intenção e na obra.
Patarata quer dizer ostentação vã.
Elegância quer dizer escolha.
Poderão emparceirar-se as duas coisas num mesmo individuo, numa mesma classe?

E onde bate o ponto.

[…]

Falta saber que este jornal abomina a ciência. Aqui só se escrevem coisas que o leitor pode esquecer uma hora depois, com tranquila consciência de que não perdeu coisa alguma. Abjura-se também a sátira, e a crítica. Cada qual pode fazer-se o que quiser, e viver como quiser. Respeita-se a ignorância e o vício: respeita‑se tudo.

 

Camilo Castelo Branco
na introdução do número inicial d’O Mundo Elegante – Periódico Semanal de Modas, Literatura, Teatro, Belas-Artes (1858-1859)

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O que me espanta é viver!

[Ex.mº Sn.or]

Não ha que esperar na velhice quando a mocid.e foi desbaratada, contrahindo emprestimos adiantados ás forças da vida porvindoura. Não me admiro deste esfacellamento: o q me espanta é viver.

 

Camilo Castelo Branco

[a Tomás Norton, S. Miguel de Ceide,  7 de Novembro de 1884]

Doze Cartas Inéditas de Camilo Castelo Branco, Lisboa, Portugália Editora, 1964. editor: Luís Norton

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Dilúvio do ano 2000

“O dilúvio, que afogou a Europa no ano 2000, foi necessário e providencial: tanta era a corrupção daqueles povos!”

(Um filósofo asiático que há-de escrever no ano 3521)

dedicatória no livro “Mistérios de Fafe: romance social”
Camilo Castelo Branco

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A Honra

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O coração, cofre de um tesouro, era material: desfez-se.
Ficou o tesouro incorruptível e sagrado: a honra.

Camilo Castelo Branco, In Doida do Candal, 1867

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Missão social do escritor

Reconhece o autor que este livro seria deficientíssimo, se assentasse em alguma ideia fundamentalmente filosófica. Não estamos em terra onde se invista a novela de missão que não seja espairecer o ânimo de estudos atentos, ou desenfastiá-lo dos enojos da ociosidade. Os letrados, que baixam até ao romance, querem-no, dizem eles, filosófico, e apontado a discutir alguma transcendente questão social. Nada mais nem menos que encomendarem ao romancista os serviços que aos legisladores incumbe prestar à sociedade. Fazem-lhe muita honra, dão-lhe grande foro nas coisas da república; mas o pior é que os editores recomendam a menos filosofia que ser possa nestes livros, e queixam-se da míngua da concorrência dos letrados ao balcão, onde a novela discreteadora e pedagógica não ousa medir-se com as facécias da cena cómica. É ver quem leva mais os olhos na sala das mascaradas – se Sócrates sobraçando a túnica e mesurando os poderosos passos, se o palhaço tilintando os guizos…

Camilo Castelo Branco, In prefácio à 2ª edição “Doida do Candal”, 1867

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Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 23.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 5 Film Festivals

Clique aqui para ver o relatório completo

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