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Archive for the ‘Amor de Salvação’ Category

 

 

Camilo Castelo Branco

1. » A Brasileira de Prazins, de Camilo Castelo Branco

2. » O Amor de Salvação, de Camilo Castelo Branco

3. » Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco 

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Guimarães é presença recorrente na obra de Camilo Castelo Branco. O escritor de Seide conhecia bem o velho burgo, que utilizou como pano de fundo de várias das suas obras. E aqui tinha “um amigo, como usam raramente ser os irmãos”, Francisco Martins Sarmento, que visitava de quando em quando.
A primeira notícia da presença de Camilo em Guimarães é-nos dada pelo próprio no Discurso Preliminar das suas Memórias do Cárcere, onde conta como, em 1860, andando fugido ao mandato de captura que fora emitido na sequência do processo de adultério que lhe fora movido por Manuel Pinheiro Alves, não encontra leito onde encostasse a cabeça. Haviam-lhe indicado a estalagem da Joaninha, na Praça da Oliveira, que descreveu com rigores de soda cáustica:
 “Joaninha é duma velhez repelente, e está curtida em camadas de lixo empedrado. A sua casa é um pântano de miasmas, e os seus leitos guardam nas furnas, roídas pelo dente dos séculos, muito bicho, coevo do rei Bamba, que lhe cravou a oliveira à porta. O repasto, que ali se dá na banca de pinho contígua ao leito, seria um cozinhado de Locusta, se tivesse a subtileza dos celebrados venenos da romana. É coisa que puxa pelo estômago, e o desmancha febra a febra.”
Num dos seus livros, Amor de Salvação, publicado dois anos depois das Memorias do Cárcere, em 1864, Camilo regressaria à mesma estalagem. A Joaninha e a estalagem que ele aí descreve contrasta profundamente com as memórias que lhe ficaram da sua passagem por Guimarães em 1860:
“Serenou-se o aspecto de Afonso de Teive, e fomos indo silenciosos, até apearmos em Guimarães na estalagem da Joaninha, que está neste mundo a competir em graças, limpeza e poesia com a Joaninha de Almeida Garrett, nas Viagens.
Jantámos, saímos a ver a terra, que eu nunca vira em Dezembro, enxergámos à luz crepuscular umas famosas damas da velha cidade que resistiam ao frio da tarde encostadas aos peitoris das suas janelas; entrevimos galantíssimos olhos de outras através das rótulas, que ainda agora nos estão contando virtudes de outras eras, virtudes que precisavam de rótulas, como as belas flores exóticas precisam de estufa.
Voltámos à estalagem, tomámos chá e uns pastelinhos que hão-de ir futuro além relembrando o mavioso nome da Sra. Joaninha. Depois pedimos duas camas num quarto, e tivemos a satisfação de ver que nos davam um quarto com cinco camas, ou coisa assim.”
A referência mais antiga a Guimarães que, até agora, encontrámos na obra de Camilo, aparece no romance Anátema, de 1851, em que, ao falar de uma cozinheira chamada Micaela, recorda aquilo que Virey escreveu sobre a beleza das mulheres de Guimarães:
“Micaela e sua irmã Jacinta eram filhas de um cuteleiro natural de Guimarães e desde 1708 estabelecido em Braga. Se não fosse o contraste da irmã, dera-vos aqui em testemunho real da opinião de formosura por que são tidas as filhas de Guimarães, um tipo de especial lindeza e graça nesta donairosa Micaela entre os quinze e os seus vinte e quatro anos.”
O primeiro dos Doze Casamentos Felizes, obra de 1861, é povoado de personagens, as Noronhas, que contrastam vivamente com o modelo de beleza que Micaela personificava. Termina assim:
“… e vou terminar, pedindo ao leitor que, se algum dia for ao Minho, procure a casa do Sr. João António Francisco, peça agasalho, que o há-de ter regalado, e contemple o que é a genuína e desartificiosa felicidade conjugal.
Se, depois, voltar por Guimarães, peça o leitor que o apresentem em casa das Sras. Noronhas, e verá o que são mulheres tolas e feias.”
Uma das últimas obras de Camilo Castelo Branco foi escrita a meias com Francisco Martins Sarmento (a quem o romancista dedicara a sua obra No Bom Jesus do Monte, de 1864, e um estudo literário, incluído no livro Esboços de Apreciações Literárias, de 1865). Trata-se de uma polémica simulada e jocosa, inicialmente publicada num jornal de Lisboa, em que ambos os escritores escreveram sob pseudónimos, depois coligida numa obra com fins filantrópicos com o título Estudos da Velha História Portuguesa.
António Amaro das Neves

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Serenou-se o aspecto de Afonso de Teive, e fomos indo silenciosos, até apearmos em Guimarães na estalagem da Joaninha, que está neste mundo a competir em graças, limpeza e poesia com a Joaninha de Almeida Garrett, nas Viagens.
Jantámos, saímos a ver a terra, que eu nunca vira em Dezembro, enxergámos à luz crepuscular umas famosas damas da velha cidade que resistiam ao frio da tarde encostadas aos peitoris das suas janelas; entrevimos galantíssimos olhos de outras através das rótulas, que ainda agora nos estão contando virtudes de outras eras, virtudes que precisavam de rótulas, como as belas flores exóticas precisam de estufa.
Voltámos à estalagem, tomámos chá e uns pastelinhos que hão-de ir futuro além relembrando o mavioso nome da Sra. Joaninha. Depois pedimos duas camas num quarto, e tivemos a satisfação de ver que nos davam um quarto com cinco camas, ou coisa assim.
– Há dez anos – disse Afonso –, é esta a primeira vez que durmo fora de minha casa. Acho-me só e estranho. Penso que estou a mil léguas de minha mulher e de meus filhos.
– Eu vou mandar aparelhar as cavalgaduras – disse eu – e vamos embora, que está magnífica a noite.
– Não – redarguiu Afonso –, que preciso estar a sós contigo, uma noite. Debaixo das telhas que cobrem minha mulher, os meus lábios não proferem o nome de outra. Ela já sabe que eu fico em Guimarães. Falarei, e tu ouvirás, ou dormirás. Falarei do homem que conheceste em 1851, para explicar o homem de 1863. Hás-de ver que lamaçais atravessei, que ressacas afrontei, como eu me bati de peito com as puas de ferro da desgraça, para chegar ao abrigo onde me encontraste. Não pasmarás então da minha velhice precoce; ser-te-á assombro a minha vida. Se és infeliz, consolar-te-ás. Se o não és, recearás sê-lo.
A noite, como sabem, era de Dezembro.

As onze horas consumiu-se de todo a vela. Afonso de Teive continuou a falar às escuras. Ao rasgar da manhã, abrimos as portadas, e Afonso falava ainda.

Camilo Castelo Branco
In Amor de Salvação, 1864

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Ebook Amor de salvação

Ebook   Amor de Salvação

Autor: Castelo Branco Camilo
Book from Project Gutenberg: Amor de Salvação
www.archive.org/details/amordesalvao26988gut

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O amor salva? O romance Amor de Salvação, de Camilo Castelo Branco é um romance passional, considerada pela crítica uma das obras mais bem acabada do autor. A história relata lembranças que são contadas ao narrador pelo protagonista, em uma noite de Natal,  após um reencontro entre os dois que não se viam há quase doze anos.

Afonso e Teodora foram prometidos um ao outro, por suas mães que eram amigas desde os tempos em que estudavam num convento. Após a morte da mãe, Teodora vai para um convento e tem como tutor seu tio, pai de Eleutério Romão. Teodora e Afonso estão sempre em contato aguardando o tempo certo para casarem. Afonso resolve estudar fora por dois anos. Teodora influenciada pela amiga Libana quer casar-se o mais rápido possível. A mãe de Afonso, D. Eulália, pede-lhe para aguardar. Mas com a saída de Libana do convento Teodora se desespera e resolve casar-se com seu primo, Eleutério,  para libertar-se das grades do convento.

Eleutério era o oposto a beleza de Teodora, era rude e vestia-se de forma hilariante. Apesar da grande tentativa de seu tio, o padre Hilário, em ensinar-lhe a ler, nada conseguiu. Vencido pela incapacidade de seu sobrinho, Padre Hilário  desistiu afirmando que somente através de uma fresta no cérebro, aberta a machado, seria possível tal façanha. Teodora viveu em pompas, trajes de sedas, cavalos, bailes, etc., mas nunca esquecera Afonso, enviava-lhe cartas de amor mas nunca obtivera resposta.

Afonso sofreu muito com a notícia do casamento de Teodora, pediu a mãe permissão para se ausentar de Portugal. Contava sempre com o apoio e o consolo das cartas de sua mãe e sua prima Mafalda, que o amava pacientemente. Após anos de amargura, sofrimento e luta contendo-se diante das cartas de Teodora, para não fugir aos ensinamentos religiosos aos quais sua mãe o educou, foi fulminado pela influencia do amigo José de Noronha que o incentivou a escrever à Teodora. Relutou, mas não conseguiu. A tal carta foi cair nas mãos de Eleutério, que a leu, mas nada entendeu. Pediu então a um amigo ajuda para interpretá-la. A carta acabou sendo rasgada por  Fernão de Teive, dando a desculpa de serem  grandes sandices, após junto com sua filha Mafalda, reconhecer as intenções do remetente, seu sobrinho Afonso de Teive. Não conformado Afonso parte ao encontro de Teodora. Eleutério quando os encontra juntos, pede-lhes explicações. Teodora  responde-lhe que é uma mulher livre a partir daquele momento, e vai viver com Afonso. Passam momentos, ilusoriamente, felizes. Afonso abandona até a sua própria mãe para viver ardentemente esta paixão que sempre o consumiu. Sua mãe sempre afetuosa, apesar da grande tristeza, sustenta a vida  luxuosa que Afonso  tem ao lado de Teodora.

Afonso quando fica sabendo da morte de sua mãe, através de carta escrita por Mafalda, se desespera. Teodora tenta consolá-lo, mas ele sente em suas palavras ironia e sente nojo de tamanho fingimento. Procura isolar-se de Teodora e dos amigos. Durante este período,  Tranqueira, velho criado da família, alerta-o sobre as intenções do amigo José de Noronha por Teodora. No início se revolta contra o criado, mas acaba escutando-o e passa a observá-los. Encontra umas cartas que confirmam as suspeitas. Certo dia os pega juntinhos com gestos de muita familiaridade.  Aborrece-se pede para que Noronha saia de sua casa. Teodora  dissimulada como sempre, tenta enganá-lo, mas ele atira-lhe as cartas. Teodora desmaia enquanto Tranqueira derruba Noronha na cisterna para vingar seu patrão.

Afonso passa alguns dias fora de casa, quando retorna encontra uma carta de Teodora informando os pertences que havia levado consigo. Apesar de traído sente saudade da encantadora  Teodora.  Vende tudo e parte para Paris atrás de um amor que o salve. Gasta tudo o que tem. Por fim, pede ao seu tio Fernão para comprar-lhe a casa onde viveram seus pais e avós, pois não queria ofender a memória de sua mãe  que o havia pedido, em carta antes morrer que não a vendesse. Mafalda com seu coração generoso e cheio de amor pelo primo, pede a seu pai que o atenda, e este assim o faz mas,  com a condição de que a casa continuaria sendo de Afonso. Afonso afunda-se cada vez mais em seus vícios e extravagâncias a ponto de querer suicidar-se. Tranqueira, que nunca o abandonou, percebeu sua intenção e disse-lhe severas palavras que o livraram de tamanha loucura. Mudou de vida, passou a trabalhar e a estudar com apoio de seu criado.

Fernão de Teive adoece, e prestes a morrer pede ao padre Joaquim que vá a Paris entregar a Afonso, os documentos de propriedade da casa a qual comprara, apenas com intuito de ajudar o sobrinho. Após a morte de Fernão, Mafalda sentindo-se sozinha, resolve viajar com o padre Joaquim para Paris com a objetivo de juntar-se as irmãs de caridade. Quando o padre Joaquim encontra Afonso e conta-lhe da morte do tio, este chora e corre ao encontro da prima que ficara em uma hospedaria.

Mafalda conta ao primo sua decisão, mas padre Joaquim pede-lhes, pelo amor de Deus, que ao invés disso, casem-se. Afonso aceitou de imediato e agradeceu à Deus por ter ouvido os  pedidos de suas mães. Afonso e Mafalda voltaram para sua cidade, casaram-se, tiveram oito filhos e foram muito felizes. Apesar do título “Amor de Salvação” a novela relata em quase toda sua extensão, um “amor de perdição” entre Afonso de Teive e Teodora Palmira. Ao “amor de salvação”, Mafalda, são dedicadas somente as ultimas páginas do romance.


resumo de Sueli Rodrigues

Releitura da obra “Amor de Salvação” pelos alunos do Colégio Bom Pastor, 2008

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Vídeo sobre o romance Amor de Salvação de Camilo Castelo Branco.

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Amor de Salvação

texto completo do Amor de Salvação de Camilo Castelo Branco

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