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Apesar de ter sido a estreita amizade que Camilo Castelo Branco (1825-1890) manteve com a família Barbosa e Silva, de Viana do Castelo, a razão maior da sua ligação a terras do Alto Minho — também ao concelho de Caminha, como se evidenciou em crónica anterior — nem por isso deixou o grande escritor de Seide de cultivar outras relações na região. Uma das maiores foi certamente com José Caldas (1842-1932), o literato, publicista e historiador vianense, um dos mais interessantes intelectuais alto-minhotos da época contemporânea, autor, entre outras obras, de “Os Humildes”, “História de um Fogo-Morto” e “Vinte cartas de Camilo Castelo Branco (1876-1885)”. Neste último livro, publicado em 1923, José Caldas revive o tempo da juventude e os primórdios da sua carreira literária — encorajada aliás por Camilo, que conhecera durante a estadia deste em Viana em 1857 —, dando ainda à edição a correspondência que mantiveram entre si ao longo de uma década.

Em data incerta, pelos primeiros dias de Setembro de 1880, Camilo telegrafa de Famalicão ao amigo de Viana: “Acharei cómodo regular em Âncora?Havendo-o vou amanhã” (1). Deste modo desafiado, recorda José Caldas como procurou de imediato satisfazer o repentino capricho: “Âncora era a esse tempo uma estância balnear de estreitíssimos recursos. Havia ali um hotel péssimo, e as pousadas que os moradores do sítio ofereciam aos banhistas eram de uma indigência de conforto incompatível com o mais acrisolado sacrifício. Contudo, tratei de desindividar-me do encargo. Ajudou-me na laboriosa pesquisa o meu amigo Isidoro de Magalhães Marques da Costa, ferventíssimo admirador de Camilo. Batemos o alto e o baixo Gontinhães, ajudados valiosamente de alguns práticos da terra. Não aparecia coisa de jeito. Isidoro, activo, incansável, produzia verdadeiros prodígios de informação. O pior era que não encontrávamos casa que servisse, ou sequer pousada por mais modesta que fosse, que me afoitasse a fazer atrair, sem risco, sobre aquela pobre praia, um homem como Camilo, cuja saúde, sempre em grandes abalos, exigia um regime de comodidades que seria quase impossível inventar ali” (1).

A notícia do insucesso da empresa de Caldas segue por carta para S.Miguel de Seide, recebendo na resposta, datada de 5 de Setembro, um segundo telegrama de Camilo: “Era hotel que eu queria. Agradeço. Escrevo pelo correio” (1). A carta prometida chegou efetivamente dias depois e o seu curioso conteúdo justifica a transcrição integral: “Expliquei-me mal. 

Eu não queria alugar casa. Deus me livre. Era um quarto em hotel pois que vou só. O Francisco Martins Sarmento já me tinha feito ver as dificuldades na realização de um Ideal tão ambicioso. Um quarto em Gontinhães! Lembrei-me, porém, que haveria isso em um novo Hotel (puf!) que se inaugurou. Não tenha você mais incómodo com isto. Por entre a sua carta vi a planta, a thologia e a mesologia [sic] de Âncora. Desanimei e já não iria de boa vontade. Abraço-o pelos favores que me fez excedentes ao que eu pedia” (1).

Apesar do esforço ter sido em vão — Camilo acabou por não vir nesse ano de 1880 para Âncora — desta troca de missivas entre os dois literatos algo se retira a propósito da praia ancorense que, nessa época, iniciava a sua afirmação regional como estância balnear. Tal sucedia, em grande parte, graças à inauguração do caminho de ferro em 1878, que vinha juntar-se à estrada real de Viana a Caminha, permitindo uma mais fácil comunicação com o distrito e o Minho. Daí provavelmente a ideia de Camilo — de comboio, depressa viajaria de Famalicão a Âncora —, a que acrescia o conhecimento obtido através do amigo Francisco Martins Sarmento, o arqueólogo de Briteiros, habitual frequentador da localidade. O maior problema, como se percebeu, residia na falta de alojamento decente e cómodo para os visitantes ocasionais, o que acabaria por desmotivar Camilo. Para além de modestas casas particulares que alugavam quartos, José Caldas refere a existência de um só — e “péssimo”, faz questão de acrescentar — estabelecimento hoteleiro em 1880. Dois anos depois, todavia, a situação tinha-se já alterado e no jornal vianense “Pero Gallego“, são mencionados dois hotéis na Praia de Âncora: “O Valenciano, e outro vem, todos os anos, estabelecer-se ali durante a época balnear. Este é o Luso-Brasileiro. Ambos fornecem aos seus hóspedes tratamento regular. Os seus preços variam entre 1.000 a 1.500 rs diários” (I, 29, Outubro de 1882).


A menção à notícia redigida por Rocha Páris no “Pero Gallego“, dos primeiros textos conhecidos a dar conta da crescente popularidade da praia ancorense, tem uma razão acrescida. Aparentemente ultrapassadas as razões que o tinham impedido em 1880, tudo indicia que Camilo Castelo Branco, acompanhado por Ana Plácido e o filho Jorge, tenha passado uns dias de descanso na Praia de Âncora no verão de 1882. Tal se depreende do cruzamento de três fontes distintas. Aquela que nos despertou para essa eventualidade foi a referência feita por Maria Emília Sena de Vasconcelos (descendente dos Barbosa e Silva por afinidade), às ocasiões em que Camilo regressou a Viana do Castelo após a sua estadia de 1857: “…a outra deu-se no regresso de Âncora, onde estivera com a mulher e os filhos no verão de 1882″(2). Sucede que um autor que muito se debruçou sobre Camilo, Abílio de Campos Monteiro (1876-1934), inseriu numa das obras de ficção que lhe dedicou, uma passagem reveladora a este respeito, apesar de não datada.

A certo passo do seu livro “Camilo Alcoforado” (1925), uma personagem dialoga assim com Ana Plácido em São Miguel de Seide: “E este ano, não tinham ido a banhos? – Estivemos em Âncora alguns dias. Mas o Jorge começou a dar-se mal…” (3). Finalmente, a corroborar estas duas fontes indiretas, sabemos pelo punho de Camilo, que escreveu uma breve nota nesse dia, e pelo que nos conta Luís Xavier Barbosa, sobrinho dos Barbosa e Silva, que por volta de 11 de agosto de 1882 — de regresso da Praia de Âncora, deduzimos — esteve o grande escritor uns dias em Viana, alojado no Hotel Central, aproveitando para visitar o velho amigo Luís Barbosa (4, 5).Infelizmente, mais não foi possível apurar sobre essa muito provável estadia de veraneio de Camilo Castelo Branco na Praia de Âncora em finais de julho e/ou inícios de agosto de 1882. Bom seria que houvesse alguma carta ou crónica escrita pelo próprio ou então uma qualquer nota de imprensa que a mencionasse mas, com um escritor prolixo na correspondência como Camilo e tão reconhecido no seu tempo, não nos surpreenderia que viesse ainda a aparecer.

NOTA: Este texto foi realizado no âmbito do projeto “À volta de Camilo” da Biblioteca Escolar da EB 2,3/S de Caminha, em parceria com o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação (Vilarelho), a Universidade Sénior do Rotary Club de Caminha e a Biblioteca Municipal de Caminha, e a pesquisa em que se fundamenta foi partilhada com os alunos Joana Aldeia-Nova, Pedro Casal e Sandra Pereira.

BIBLIOGRAFIA

(1) José Caldas (1923). Vinte cartas de Camilo Castelo Branco (1876-1885). Porto: Companhia Portuguesa Editora.
(2) Maria Emília Sena de Vasconcelos (1991). Os Barbosa e Silva, de Viana, e Camilo. Cadernos Vianenses XV. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, pp.111-127.
(3) Campos Monteiro (1925). Camilo Alcoforado. Porto: Livraria Civilização.
(4) Alexandre Cabral (1984). Correspondência de Camilo Castelo Branco. Com os Irmãos Barbosa e Silva (e com Sebastião de Sousa). Volumes I e II. Lisboa: Livros Horizonte.
(5) Luís Xavier Barbosa (1919). Cem cartas de Camilo. Lisboa: Imprensa Portugal-Brasil.

Paulo Torres Bento
(com Joana Aldeia-Nova, Pedro Casal e Sandra Pereira
— Projeto “À volta de Camilo”, E.B.2,3/S de Caminha)

Fonte: http://www.caminha2000.com/jornal/n638/cmc3.html

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O olho de vidro (2)

(…) Corria o anno de 1697. Francisco Luiz d’Abreu, doutor em medicina, mudára sua residencia para Coimbra, esperançado em entrar no magisterio, conforme lh’o promettiam sua capacidade, vasto saber e creditos. Tinha casado, quatro annos antes, com Francisca Rodrigues de Oliveira, filha de abastados judeus de Ourem. Não tinham filhos; mas dos braços de um ao outro saltava um menino de cinco annos, chamado Braz, acariciado com blandicias de filho. A creança tratava de padrinho o doutor, e á senhora chamava mãe. A esposa do medico, privada do goso de se ver assim amimada nos labios de anjo desentranhado de seu seio, jubilava de lhe ouvir aquelle doce nome de mãe, e toda se estremecia de maternal ternura chamando-lhe seu filho.

(…) Relatava-lhe a perseguição que os Oliveiras de Ourem estavam soffrendo, desde a fuga na náo da carreira da India, e o certo perigo que corria a creança, se levissimas suspeitas o indigitassem como filho de Francisco de Abreu.

(…) O israelita de Ourem ia triste. Dir-se-ia que nunca elle, até á vespera d’aquelle dia, devéras se convencêra da morte do seu Antonio de Sá. Tantos annos idos, e elle ainda a querer-lhe e como que a esperal-o! Já o seu contemporaneo Barreto lhe havia dito na summa o que Braz de Abreu lhe dissera, e todavia o convencimento da morte do marido de D. Maria não o tinha ainda penetrado, ao que parecia.

in “O Olho de Vidro“, de Camilo Castelo Branco

O Olho de vidro (1)

olhovidro.jpg 

Braz Luiz de Abreu foi um famoso médico oureense de origens  judaicas que o notável romancista Camilo Castelo Branco imortalizou na sua novela “Olho de Vidro”, precisamente a alcunha pela qual era conhecido. Esta novela descreve também a vida da comunidade judaica de Ourém e, por conseguinte, relata uma parte importante da nossa história local cujo estudo está ainda por se fazer.

Numa altura em que se prepara a realização do Festival Internacional de Cinema de Ourém que irá realizar-se sob o signo da tolerância, a novela “O Olho de Vidro” de Camilo Castelo Branco bem poderia constituir um excelente argumento para a realização de uma produção cinematográfica. Uma tema, aliás, da maior oportunidade atendendo não apenas à sua projecção internacional como ainda à possibilidade de divulgação de um dos maiores escritores da Língua portuguesa, precisamente numa altura em que foi incompreensivelmente afastado dos manuais escolares.

O Olho de Vidro” é um romance histórico escrito pelo notável escritor e novelista Camilo Castelo Branco. A história baseia-se
na vida atribulada do médico oureense Brás Luis de Abreu. De origens judaicas, este nasceu em Ourém, a 3 de Fevereiro de 1692, tendo sido exposto em Coimbra. Porém, consta que foram seus pais Francisco Luiz de Abreu e Francisca Rodrigues de Oliveira. A sua vida foi sempre marcada pela perseguição que o Santo Ofício exerceu sobre aqueles que dele cuidaram na sua infância, concretamente os judeus que a esse tempo tiveram de abandonar o país e, após muitas desventuras, vieram a fixar-se na Holanda onde ergueram a famosa Sinagoga Portuguesa de Amesterdão que constitui uma das principais referências daquela cidade. De resto, a comunidade judaica registou a sua presença em Ourém onde, aliás, se preservam testemunhos e se podem ainda identificar algumas famílias de origem judaica, agora plenamente integradas na sociedade portuguesa e na vida local.

Brás Luis de Abreu foi autor do tratado “Portugal médico ou Monarquia médico-lusitana” e “Sol nascido no Ocidente e posto ao nascer do Sol. Santo António Português” entre outras obras. Conhecido por “Olho de vidro”, Brás Luis de Abreu inspirou o escritor Camilo Castelo Branco quando este escreveu a novela “O Olho de Vidro”, adoptando precisamente para título a alcunha do afamado médico oureense. Desse romance, transcreve-se seguidamente algumas passagens nas quais o escritor faz referência directa a Ourém:

Ás dez horas da noite seguinte, Francisco Luiz e o seu amigo sairam de Coimbra, cada qual por diversa porta. O bemfeitor foi para Ourem, sua terra; o judeu da Guarda, por desvios escusos, entrou, decorridas duas noites de jornada, na abegoaria onde o esperava a mãe da creancinha, que bebia um leite aguado de lagrimas.

(…) Nas ferias d’aquelle anno, o lente simulou uma jornada a Ourem, sua patria, e foi em direitura a Lisboa. O santo officio de
Coimbra reparou na saida, e lançou pesquizas. Informaram-no de alguns processos de liquidação de patrimonios e venda de bens, que o doutor Abreu rapidamente negociára na terra de sua mulher. D’isto foi avisado o inquisidor geral, de modo que já em Lisboa o promotor instaurava processo, quando o lente alli chegou.

(…) Foi o doutor a Ourem, com ares de forasteiro que vê pelo miudo as mais e menos notaveis terras dos paizes. A casa onde elle
nascêra havia sido vendida pela corôa, para a qual tinha sido confiscada, depois que o dono fôra queimado em estatua. Estava sendo estalagem. Pernoitou n’ella; dormiu no quarto de sua mãe… não dormiu: chorou por todo o correr da noite vagarosa. Antes que a primeira luz do seguinte dia apontasse, saiu do quarto onde nascêra e morrêra sua mãe, viu de passagem o quarto que fôra o seu, e d’onde agora saía outro viageiro madrugador.

(…) Francisco Luiz encarou n’elles com desprezo: não podia ser de piedade, nem de odio aquelle sorriso que entre-abriu os beiços do velho judeu de Ourem.

in Olho de vidro, Camilo Castelo Branco

 

Carlos Gomes
Fonte: blogue Auren  http://auren.blogs.sapo.pt/374978.html

Camilo e Miguel Torga

miguel_torga

Camilo! Criado à sombra escalvada do Marão, viera perder-se entre videiras de enforcado. Mas deixara nos seus livros, viva, indelével, a paisagem da infância. E as suas novelas do Minho não são nunca um pacífico enlevo à sombra das ramadas, pastoris cenas de amor do litógrafo Júlio Dinis. Rangem como turbulentas paixões entre o céu e a terra, nuas e ossudas. As verduras da mocidade com Ana Plácido acabaram numa secura de fraga.

Encontrei a sombra do romancista ainda mais trágica do que a deixara da última vez. O tempo afundara-lhe a marca das bexigas, aumentara-lhe a cegueira, acrescentara-lhe a loucura. Era um prisioneiro revoltado num jardim de avencas. Percorreu a meu lado, sinistramente, cada compartimento da casa, reviu os desenhos do filho doido, anatematizou a lápis, numa das estantes, um volume d´A Relíquia, acompanhou-me ao patamar da escada, e esgalhou um rebento serôdio e agoirento da acácia do Jorge. Já nem o viço daquela lembrança podia tolerar! Fugi, aterrado. Não havia dúvida que os quilómetros de esmeralda lhe não tinham pacificado o coração. A paisagem é, realmente, um estado de alma…

Miguel Torga

In Portugal, Coimbra, 1950

Falam velhos manuscritos…[Periódico] / A. de Magalhães Basto . – (3 agosto 1934-16 outubro 1959) . – Porto : O Primeiro de Janeiro, 1934-1959 . – ; 30 cm.
4 Pastas com recortes de imprensa fotocopiados . – CC-FG L BAS/fal

 

 

O Porto desancado por Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 agosto 1934

 

Um Sujeito assaz instruido e que escreve com muito acêrto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 4 janeiro 1935

 

Não deixar “passar por águias burros enfeitados…” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 11 janeiro 1935

 

Tu quoque, Brutus!… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 18 janeiro 1935

 

A Gratidão de Soromenho / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 25 janeiro 1935

 

Três rapazes de talento / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 abril 1935

 

As Pupilas do Senhor reitor / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 abril 1935
A Casa de Camilo em S. Miguel de Seide / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 31 maio 1935

 

Notas à margem do punho de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 6 dez. 1935

 

Porque não foi Camilo nomeado Bibliotecário? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 17 janeiro 1936

 

Uma Vaga na Biblioteca Municipal! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 janeiro 1936

 

Carvalho e Araujo, 2º Bibliotecário do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 janeiro 1936

 

Amor de Perdição! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 junho 1936

 

 

Que há de verdade no “Amor de Perdição”? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 julho 1936

 

O Encontro de “duas realezas” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 julho 1936

 

Uma Confissão de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 14 agosto 1936

 

Da “conjuração mineira” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 20 novembro 1936

 

Um Processo-crime por ferimentos e bofetadas réu: Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 22 janeiro 1937

 

Camilo a contas com a Justiça! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 5 fevereiro 1937

 

A Pronúncia de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 fevereiro 1937

 

E pague o A. as custas em que o condeno / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 fevereiro 1937

 

Quem era o juíz que pronunciou Camilo? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 26 fevereiro 1937

 

À margem do Centenário da Politécnica / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 2 abril 1937

 

Camilo e o Bispo Alves Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 janeiro 1938

 

Camilo na Ponte da Pedra / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 10 março 1939

 

Dos famosos Guedes da casa da Costa / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 17 março 1939
Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho1939

 

O Antigo natal na minha terra! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 25 dezembro 1941

 

Por causa dela! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 23 janeiro 1942

 

As Duas “elas”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 30 janeiro 1942

 

Ridendo dicere verum… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 20 fevereiro1942

 

O Imperador do Brasil no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 fevereiro 1943

 

A Propósito da exposição do livro francês / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 9 abril 1943

 

O Portuense Braz Cubas / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 18 junho 1943

 

Camilo não sabia de que freguesia era… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 novembro 1943

 

Um “Mistério” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 novembro 1943

 

As Razões do “segredo” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 novembro 1943

 

A Propósito dum romance de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho 1944

 

Camilo e a “lutadora vitoriosa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 agosto 1944

 

O Pessimismo de Camilo e o Ateneu Comercial do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 dezembro 1944

 

Quem era D. Francisca Rebelo mulher de Simão Vaz de Camões / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 agosto 1946

 

História antiga…dos americanos do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 novembro 1946

 

A “Paixão” do nobre senhor do palecete de Santo António do Penedo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 22 novembro 1946

 

Para a história dum autógrafo do dr. Ribeiro Sanches / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 6 dezembro 1946

 

Habent sua fata libelli / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 20 dezembro 1946

 

Camilo, “Aurora” & Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 17 janeiro 1947
Mais “Aurora”, mais Camilo e sempre…Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 janeiro 1947

 

Camilo em Viana do Castelo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 31 janeiro 1947

 

Catarina Carlota Lady Jackson / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 fevereiro 1947

 

A Chegada de Lady Jackson ao Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 8 março 1947

 

Aspectos do Porto de há oitenta anos : ia eu dizendo que Lady Jackson gostou muito do Porto-da terra e da gente / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 março 1947

 

Ensaiando forças para as solidões do cárcere… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 março 1947

 

Camilo entra nos cárceres da Relação do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 abril 1947

 

As Cadeias da Relação do Porto em 1860 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 11 abril 1947

 

Uma Noite grande e triste! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 18 abril 1947

 

O Quarto em que foi escrito o Amor de Perdição / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 25 abril 1947
Ricardo Browne – o último elegante literário e intelectual que houve no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 13 junho 1947

 

Das festas do S. João / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 29 junho 1947

 

Houve de facto uma Maria da Fonte? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3 e 4. – 18 julho 1947

 

Um Documento inédito, cem por cento camiliano / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1947

 

S.A.R. Cosme de Médicis no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 abril 1948

 

Camilo e Cosme de Médicis / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 26 abril 1948

 

História e… romance / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 30 abril 1948

 

Recorda-se o Padre Luís de Sousa Couto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 10 dezembro 1948

 

Simão Botelho no romance e na história / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 11 dezembro 1948

 

O Enigma das causas da prisão do “Fidalgo do Bonjardim” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 25 novembro 1950
Terão tido os “Leite Pereiras”, do Porto, uma rainha na família? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 19 outubro 1951

 

Divagações sobre o Porto de 1877 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1951

 

Costumes portuenses no tempo dos “americanos” e… dos “eléctricos” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 janeiro 1955

 

Um Célebre “modelo de polémica portuguesa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 1 agosto 1958

 

A Agressividade e a bondade de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 15 agosto 1958

 

O Tâmega e o Pele na obra camiliana / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 agosto 1958

 

Uma Polémica de Camilo em que este teve a preocupação de naõ fazer “escamar” o seu antagonista / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 29 agosto 1958

 

Camilo e Oliveira Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 5 setembro 1958

 

O Demónio do ouro / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 20 fevereiro 1959

 

A Origem de “O Demónio do ouro” de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 6 março 1959

Dois botequins célebres no Porto do tempo do romantismo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 17 abril 1959

 

Dona Ana Plácido vende a sua casa da Rua do Almada / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 2 outubro 1959

 

Minudências biográficas de D. Ana Plácido e Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 9 outubro 1959

 

Uma Carta de D. Ana Plácido e a derrota do Dr. Bernardino Machado na sua primeira candidatura a deputado / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 16 outubro 1959

 

O Mundo Elegante (2)

O MUNDO ELEGANTE. — (Collecção de Historias, Biographias, Romances, Poesias e Dramas) redigido por Camillo Castello Branco. Ilustrado com os retratos de D. Pedro V, Princeza Amélia, Garrett, Rossini, e varias outras gravuras. Acompanhado de varias musicas para pianno, por Carli, Ribas, Moreira, Vianna e Dubini. Lisboa. Livraria de Manoel Antonio Campos Junior. 1863. 22,5×32 cm. 136 págs. E. Digo: O MUNDO ELEGANTE. Periodico Semanal, de Modas, Litteratura, Theatros, Bellas Artes, &c. Sob a protecção de Suas  Magestades Fidelissimas. Editores Proprietarios — Villa Nova & Emygdio. (Novembro de 1858–Fevereiro de 1860).

Curiosíssima publicação de Camilo Castelo Branco que lança este Jornal devido às enormes dificuldades na colaboração em jornais da época, por causa do escândalo a propósito da ligação amorosa com Ana Plácido (esposa de Pinheiro Alves).
No primeiro número pode ler-se:

“O Mundo Elegante será o mundo-patarata? Suspeita damninha que entra a inguiçar-me logo no principio! O mundo elegante é a sociedade polida, lustrosa, invernizada no corpo e no pensamento, na acção e na palavra, na intenção e na obra. Patarata quer dizer ostentação van. Elegamcia quer dizer escôlha. Poderão imparceirara-se as duas coisas n’um mesmo individuo, n’uma mesma classe? (…) O Mundo-Elegante faz-se para todas as caras possiveis, desde a botocuda até á georgiana; Para todas as intelligencias imaginaveis: Para todas as progenies admissiveis na ordem da propagação; Para todos as virtudes ainda as mais hypotheticas. (…) Um mundo assim elegante póde e deve ter um jornal, um como archivo dos seus fastos, uma especie de acta em que se vão escrevendo as phases da civilisação portuense. De hoje a cem annos, quando o Porto attingir o seu destino de maxima perfectibilidade, os nossos netos mostrarão este jornal como testemunho de uma civilisação remota. (…) Falta saber que este jornal abomina a sciencia. Aqui só se escrevem coisas que o leitor póde esquecer uma hora depois, com tranquilla consciencia de que não perdeu coisa alguma. Abjura-se tambem a satyra, e a critica. Cada qual póde fazer o que quizer, e viver como quizer. Respeita-se a ignorancia e o vicio: respeita-se tudo.”

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