Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Amor infinito

Da mulher o que nos comove e enleva é a parte impoluta que ela tem do céu; é a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, não sabido dela, não sabido de nós. Ali há mensagem de outras regiões; aqui, no peito arquejante, nos olhos amarados de gozozas lágrimas, há um espirar para o alto, um ir-se o coração avoando desde os olhos, desde o sorriso dela para soberanas e imorredouras alegrias. Nós é que não sabemos nem podemos ver senão o pouquinho desse infinito que nos entre-luz nas graças do primeiro amor, do segundo amor, de quantos estremecimentos de súbita embriaguez nos fazem crer que despimos o invólucro de barro e pairamos alados sobre a região das lágrimas. 

É Deus que não quer ou somos nós que não podemos prorrogar a duração ao sonho? Se Deus, que mal faria à sua divina grandeza que o pequenino guzano o adorasse sempre? Porque vai tão rápida aquela estação em que o homem é bom porque ama, e é caritativo e dadivoso porque tudo sobeja à sua felicidade? Quando poderam aliar-se um amor puro com a impureza das intenções? Quais olhos de homem afectivo e como santificado por seu amor recusaram chorar sobre desgraças estranhas? Que exuberância de bens a desbordar da alma! Que ânsia de fazermos em redor de nós alegrias, fortunas, mãos erguidas connosco a bem-dizer os contentamentos que nos chove o manancial dos puros deleites. 

Não é Deus que nos agourenta as alegrias castas, as espirações que lhe comprazem. Nós é que não sabemos que luz é essa da nova manhã que dentro nos alumia voluptuosidades desconhecidas. Atribuímos ao efeito os prestígios da causa. É que não podemos ver por longo tempo a mensageira dos mundos estrelados: quizemos pôr a mão na vara que nos encantou; e a vara fez-se serpente, porque a alma imaculada já não era o impulsor da nossa ansiedade. O homem, escurecido já no interior, viu a mulher ao sol da terra, sol que incende o sangue, e abraza o rosto e cresta as asas do anjo. Ai dos anjos em carne que olham depois em si e correm a vestir-se da folhagem do paraíso! Desde esse momento a luz do homem, o calor das paixões radia do montante de fogo que empunha o executor de alta justiça. Fora do éden está o inferno. A baliza encravada na fronteira maldita chama-se o TÉDlO. 

Camilo Castelo Branco

 in ‘O Santo da Montanha (1866)’

Anúncios

Read Full Post »

Read Full Post »

Lugar de Memória Camiliana

No próximo dia 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que foi instituído em 1982 pelo ICOMOS e aprovado pela UNESCO no ano seguinte. A partir de então, esta data comemorativa tem vindo a oferecer a oportunidade de aumentar a consciência pública relativamente à diversidade do património e aos esforços necessários para a sua proteção, conservação, chamando a atenção para a sua vulnerabilidade.

Este ano o Dia internacional dos Monumentos e Sítios é dedicado ao tema Lugares de Memória.

Read Full Post »

II CONGRESSO O PORTO ROMÂNTICO

11 e 12 de Abril de 2014

Universidade Católica do Porto

Dia 11 de Abril de 2014 (sexta-feira: tarde)
17.20-17.40 – Carmen Matos Abreu
Refigurando as relações, pessoais e literárias, entre dois escritores românticos: Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco

Read Full Post »

GenerateThumbnail

Universidade do Minho | Auditório do ILCH, campus de Gualtar, Braga, terça-feira, 08-04-2014

Iniciativa do CEHUM com oradores das universidades de Lyon II (França), São Paulo, Federal do Paraná (Brasil), Ohio (EUA) e Minho, entre outros

O Congresso “Camilo Castelo Branco, Machado de Assis e as relações luso-brasileiras” decorre a 8 de abril de 2014 na Universidade do Minho. Conta com oradores das universidades de Lyon II (França), São Paulo, Federal do Paraná (Brasil), Ohio (EUA) e UMinho. A iniciativa tem lugar no auditório do ILCH (Instituto de Letras e Ciências Humanas), no campus de Gualtar, Braga. A organização cabe ao Centro de Estudos Humanísticos da UMinho (CEHUM), entre outros.

Programa pdf

Contextualização

Read Full Post »

Dilúvio do ano 2000

“O dilúvio, que afogou a Europa no ano 2000, foi necessário e providencial: tanta era a corrupção daqueles povos!”

(Um filósofo asiático que há-de escrever no ano 3521)

dedicatória no livro “Mistérios de Fafe: romance social”
Camilo Castelo Branco

Read Full Post »

“Eu nunca tive seio de mãe onde encostar a cabeça.”

Camilo Castelo Branco,
in Quatro Horas Inocentes (1872)

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: