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O olho de vidro (2)

(…) Corria o anno de 1697. Francisco Luiz d’Abreu, doutor em medicina, mudára sua residencia para Coimbra, esperançado em entrar no magisterio, conforme lh’o promettiam sua capacidade, vasto saber e creditos. Tinha casado, quatro annos antes, com Francisca Rodrigues de Oliveira, filha de abastados judeus de Ourem. Não tinham filhos; mas dos braços de um ao outro saltava um menino de cinco annos, chamado Braz, acariciado com blandicias de filho. A creança tratava de padrinho o doutor, e á senhora chamava mãe. A esposa do medico, privada do goso de se ver assim amimada nos labios de anjo desentranhado de seu seio, jubilava de lhe ouvir aquelle doce nome de mãe, e toda se estremecia de maternal ternura chamando-lhe seu filho.

(…) Relatava-lhe a perseguição que os Oliveiras de Ourem estavam soffrendo, desde a fuga na náo da carreira da India, e o certo perigo que corria a creança, se levissimas suspeitas o indigitassem como filho de Francisco de Abreu.

(…) O israelita de Ourem ia triste. Dir-se-ia que nunca elle, até á vespera d’aquelle dia, devéras se convencêra da morte do seu Antonio de Sá. Tantos annos idos, e elle ainda a querer-lhe e como que a esperal-o! Já o seu contemporaneo Barreto lhe havia dito na summa o que Braz de Abreu lhe dissera, e todavia o convencimento da morte do marido de D. Maria não o tinha ainda penetrado, ao que parecia.

in “O Olho de Vidro“, de Camilo Castelo Branco

O Olho de vidro (1)

olhovidro.jpg 

Braz Luiz de Abreu foi um famoso médico oureense de origens  judaicas que o notável romancista Camilo Castelo Branco imortalizou na sua novela “Olho de Vidro”, precisamente a alcunha pela qual era conhecido. Esta novela descreve também a vida da comunidade judaica de Ourém e, por conseguinte, relata uma parte importante da nossa história local cujo estudo está ainda por se fazer.

Numa altura em que se prepara a realização do Festival Internacional de Cinema de Ourém que irá realizar-se sob o signo da tolerância, a novela “O Olho de Vidro” de Camilo Castelo Branco bem poderia constituir um excelente argumento para a realização de uma produção cinematográfica. Uma tema, aliás, da maior oportunidade atendendo não apenas à sua projecção internacional como ainda à possibilidade de divulgação de um dos maiores escritores da Língua portuguesa, precisamente numa altura em que foi incompreensivelmente afastado dos manuais escolares.

O Olho de Vidro” é um romance histórico escrito pelo notável escritor e novelista Camilo Castelo Branco. A história baseia-se
na vida atribulada do médico oureense Brás Luis de Abreu. De origens judaicas, este nasceu em Ourém, a 3 de Fevereiro de 1692, tendo sido exposto em Coimbra. Porém, consta que foram seus pais Francisco Luiz de Abreu e Francisca Rodrigues de Oliveira. A sua vida foi sempre marcada pela perseguição que o Santo Ofício exerceu sobre aqueles que dele cuidaram na sua infância, concretamente os judeus que a esse tempo tiveram de abandonar o país e, após muitas desventuras, vieram a fixar-se na Holanda onde ergueram a famosa Sinagoga Portuguesa de Amesterdão que constitui uma das principais referências daquela cidade. De resto, a comunidade judaica registou a sua presença em Ourém onde, aliás, se preservam testemunhos e se podem ainda identificar algumas famílias de origem judaica, agora plenamente integradas na sociedade portuguesa e na vida local.

Brás Luis de Abreu foi autor do tratado “Portugal médico ou Monarquia médico-lusitana” e “Sol nascido no Ocidente e posto ao nascer do Sol. Santo António Português” entre outras obras. Conhecido por “Olho de vidro”, Brás Luis de Abreu inspirou o escritor Camilo Castelo Branco quando este escreveu a novela “O Olho de Vidro”, adoptando precisamente para título a alcunha do afamado médico oureense. Desse romance, transcreve-se seguidamente algumas passagens nas quais o escritor faz referência directa a Ourém:

Ás dez horas da noite seguinte, Francisco Luiz e o seu amigo sairam de Coimbra, cada qual por diversa porta. O bemfeitor foi para Ourem, sua terra; o judeu da Guarda, por desvios escusos, entrou, decorridas duas noites de jornada, na abegoaria onde o esperava a mãe da creancinha, que bebia um leite aguado de lagrimas.

(…) Nas ferias d’aquelle anno, o lente simulou uma jornada a Ourem, sua patria, e foi em direitura a Lisboa. O santo officio de
Coimbra reparou na saida, e lançou pesquizas. Informaram-no de alguns processos de liquidação de patrimonios e venda de bens, que o doutor Abreu rapidamente negociára na terra de sua mulher. D’isto foi avisado o inquisidor geral, de modo que já em Lisboa o promotor instaurava processo, quando o lente alli chegou.

(…) Foi o doutor a Ourem, com ares de forasteiro que vê pelo miudo as mais e menos notaveis terras dos paizes. A casa onde elle
nascêra havia sido vendida pela corôa, para a qual tinha sido confiscada, depois que o dono fôra queimado em estatua. Estava sendo estalagem. Pernoitou n’ella; dormiu no quarto de sua mãe… não dormiu: chorou por todo o correr da noite vagarosa. Antes que a primeira luz do seguinte dia apontasse, saiu do quarto onde nascêra e morrêra sua mãe, viu de passagem o quarto que fôra o seu, e d’onde agora saía outro viageiro madrugador.

(…) Francisco Luiz encarou n’elles com desprezo: não podia ser de piedade, nem de odio aquelle sorriso que entre-abriu os beiços do velho judeu de Ourem.

in Olho de vidro, Camilo Castelo Branco

 

Carlos Gomes
Fonte: blogue Auren  http://auren.blogs.sapo.pt/374978.html

Camilo e Miguel Torga

miguel_torga

Camilo! Criado à sombra escalvada do Marão, viera perder-se entre videiras de enforcado. Mas deixara nos seus livros, viva, indelével, a paisagem da infância. E as suas novelas do Minho não são nunca um pacífico enlevo à sombra das ramadas, pastoris cenas de amor do litógrafo Júlio Dinis. Rangem como turbulentas paixões entre o céu e a terra, nuas e ossudas. As verduras da mocidade com Ana Plácido acabaram numa secura de fraga.

Encontrei a sombra do romancista ainda mais trágica do que a deixara da última vez. O tempo afundara-lhe a marca das bexigas, aumentara-lhe a cegueira, acrescentara-lhe a loucura. Era um prisioneiro revoltado num jardim de avencas. Percorreu a meu lado, sinistramente, cada compartimento da casa, reviu os desenhos do filho doido, anatematizou a lápis, numa das estantes, um volume d´A Relíquia, acompanhou-me ao patamar da escada, e esgalhou um rebento serôdio e agoirento da acácia do Jorge. Já nem o viço daquela lembrança podia tolerar! Fugi, aterrado. Não havia dúvida que os quilómetros de esmeralda lhe não tinham pacificado o coração. A paisagem é, realmente, um estado de alma…

Miguel Torga

In Portugal, Coimbra, 1950

Falam velhos manuscritos…[Periódico] / A. de Magalhães Basto . – (3 agosto 1934-16 outubro 1959) . – Porto : O Primeiro de Janeiro, 1934-1959 . – ; 30 cm.
4 Pastas com recortes de imprensa fotocopiados . – CC-FG L BAS/fal

 

 

O Porto desancado por Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 agosto 1934

 

Um Sujeito assaz instruido e que escreve com muito acêrto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 4 janeiro 1935

 

Não deixar “passar por águias burros enfeitados…” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 11 janeiro 1935

 

Tu quoque, Brutus!… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 18 janeiro 1935

 

A Gratidão de Soromenho / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 25 janeiro 1935

 

Três rapazes de talento / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 abril 1935

 

As Pupilas do Senhor reitor / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 abril 1935
A Casa de Camilo em S. Miguel de Seide / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 31 maio 1935

 

Notas à margem do punho de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 6 dez. 1935

 

Porque não foi Camilo nomeado Bibliotecário? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 17 janeiro 1936

 

Uma Vaga na Biblioteca Municipal! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 janeiro 1936

 

Carvalho e Araujo, 2º Bibliotecário do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 24 janeiro 1936

 

Amor de Perdição! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 26 junho 1936

 

 

Que há de verdade no “Amor de Perdição”? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 3 julho 1936

 

O Encontro de “duas realezas” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 10 julho 1936

 

Uma Confissão de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 14 agosto 1936

 

Da “conjuração mineira” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 20 novembro 1936

 

Um Processo-crime por ferimentos e bofetadas réu: Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 22 janeiro 1937

 

Camilo a contas com a Justiça! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05707 . – Pasta 1. – 5 fevereiro 1937

 

A Pronúncia de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 fevereiro 1937

 

E pague o A. as custas em que o condeno / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 fevereiro 1937

 

Quem era o juíz que pronunciou Camilo? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 26 fevereiro 1937

 

À margem do Centenário da Politécnica / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 2 abril 1937

 

Camilo e o Bispo Alves Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 janeiro 1938

 

Camilo na Ponte da Pedra / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 10 março 1939

 

Dos famosos Guedes da casa da Costa / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 17 março 1939
Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho1939

 

O Antigo natal na minha terra! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 25 dezembro 1941

 

Por causa dela! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 23 janeiro 1942

 

As Duas “elas”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 30 janeiro 1942

 

Ridendo dicere verum… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 20 fevereiro1942

 

O Imperador do Brasil no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 fevereiro 1943

 

A Propósito da exposição do livro francês / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 9 abril 1943

 

O Portuense Braz Cubas / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 18 junho 1943

 

Camilo não sabia de que freguesia era… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 5 novembro 1943

 

Um “Mistério” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 12 novembro 1943

 

As Razões do “segredo” de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 19 novembro 1943

 

A Propósito dum romance de Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05708 . – Pasta 2. – 28 julho 1944

 

Camilo e a “lutadora vitoriosa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 agosto 1944

 

O Pessimismo de Camilo e o Ateneu Comercial do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 dezembro 1944

 

Quem era D. Francisca Rebelo mulher de Simão Vaz de Camões / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 agosto 1946

 

História antiga…dos americanos do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 novembro 1946

 

A “Paixão” do nobre senhor do palecete de Santo António do Penedo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 22 novembro 1946

 

Para a história dum autógrafo do dr. Ribeiro Sanches / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 6 dezembro 1946

 

Habent sua fata libelli / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 20 dezembro 1946

 

Camilo, “Aurora” & Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 17 janeiro 1947
Mais “Aurora”, mais Camilo e sempre…Bernardo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 24 janeiro 1947

 

Camilo em Viana do Castelo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 31 janeiro 1947

 

Catarina Carlota Lady Jackson / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 fevereiro 1947

 

A Chegada de Lady Jackson ao Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 8 março 1947

 

Aspectos do Porto de há oitenta anos : ia eu dizendo que Lady Jackson gostou muito do Porto-da terra e da gente / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 15 março 1947

 

Ensaiando forças para as solidões do cárcere… / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 28 março 1947

 

Camilo entra nos cárceres da Relação do Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 4 abril 1947

 

As Cadeias da Relação do Porto em 1860 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 11 abril 1947

 

Uma Noite grande e triste! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 18 abril 1947

 

O Quarto em que foi escrito o Amor de Perdição / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 25 abril 1947
Ricardo Browne – o último elegante literário e intelectual que houve no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 13 junho 1947

 

Das festas do S. João / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3. – 29 junho 1947

 

Houve de facto uma Maria da Fonte? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05709 . – Pasta 3 e 4. – 18 julho 1947

 

Um Documento inédito, cem por cento camiliano / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1947

 

S.A.R. Cosme de Médicis no Porto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 abril 1948

 

Camilo e Cosme de Médicis / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 26 abril 1948

 

História e… romance / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 30 abril 1948

 

Recorda-se o Padre Luís de Sousa Couto / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 10 dezembro 1948

 

Simão Botelho no romance e na história / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 11 dezembro 1948

 

O Enigma das causas da prisão do “Fidalgo do Bonjardim” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 25 novembro 1950
Terão tido os “Leite Pereiras”, do Porto, uma rainha na família? / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 19 outubro 1951

 

Divagações sobre o Porto de 1877 / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 dezembro 1951

 

Costumes portuenses no tempo dos “americanos” e… dos “eléctricos” / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 14 janeiro 1955

 

Um Célebre “modelo de polémica portuguesa”! / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 1 agosto 1958

 

A Agressividade e a bondade de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 15 agosto 1958

 

O Tâmega e o Pele na obra camiliana / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 23 agosto 1958

 

Uma Polémica de Camilo em que este teve a preocupação de naõ fazer “escamar” o seu antagonista / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 29 agosto 1958

 

Camilo e Oliveira Martins / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 5 setembro 1958

 

O Demónio do ouro / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 20 fevereiro 1959

 

A Origem de “O Demónio do ouro” de Camilo Castelo Branco / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 6 março 1959

Dois botequins célebres no Porto do tempo do romantismo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 17 abril 1959

 

Dona Ana Plácido vende a sua casa da Rua do Almada / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 2 outubro 1959

 

Minudências biográficas de D. Ana Plácido e Camilo / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 9 outubro 1959

 

Uma Carta de D. Ana Plácido e a derrota do Dr. Bernardino Machado na sua primeira candidatura a deputado / A. de Magalhães Basto
IN: Falam velhos manuscritos…. – Nº 05710 . – Pasta 4. – 16 outubro 1959

 

O Mundo Elegante (2)

O MUNDO ELEGANTE. — (Collecção de Historias, Biographias, Romances, Poesias e Dramas) redigido por Camillo Castello Branco. Ilustrado com os retratos de D. Pedro V, Princeza Amélia, Garrett, Rossini, e varias outras gravuras. Acompanhado de varias musicas para pianno, por Carli, Ribas, Moreira, Vianna e Dubini. Lisboa. Livraria de Manoel Antonio Campos Junior. 1863. 22,5×32 cm. 136 págs. E. Digo: O MUNDO ELEGANTE. Periodico Semanal, de Modas, Litteratura, Theatros, Bellas Artes, &c. Sob a protecção de Suas  Magestades Fidelissimas. Editores Proprietarios — Villa Nova & Emygdio. (Novembro de 1858–Fevereiro de 1860).

Curiosíssima publicação de Camilo Castelo Branco que lança este Jornal devido às enormes dificuldades na colaboração em jornais da época, por causa do escândalo a propósito da ligação amorosa com Ana Plácido (esposa de Pinheiro Alves).
No primeiro número pode ler-se:

“O Mundo Elegante será o mundo-patarata? Suspeita damninha que entra a inguiçar-me logo no principio! O mundo elegante é a sociedade polida, lustrosa, invernizada no corpo e no pensamento, na acção e na palavra, na intenção e na obra. Patarata quer dizer ostentação van. Elegamcia quer dizer escôlha. Poderão imparceirara-se as duas coisas n’um mesmo individuo, n’uma mesma classe? (…) O Mundo-Elegante faz-se para todas as caras possiveis, desde a botocuda até á georgiana; Para todas as intelligencias imaginaveis: Para todas as progenies admissiveis na ordem da propagação; Para todos as virtudes ainda as mais hypotheticas. (…) Um mundo assim elegante póde e deve ter um jornal, um como archivo dos seus fastos, uma especie de acta em que se vão escrevendo as phases da civilisação portuense. De hoje a cem annos, quando o Porto attingir o seu destino de maxima perfectibilidade, os nossos netos mostrarão este jornal como testemunho de uma civilisação remota. (…) Falta saber que este jornal abomina a sciencia. Aqui só se escrevem coisas que o leitor póde esquecer uma hora depois, com tranquilla consciencia de que não perdeu coisa alguma. Abjura-se tambem a satyra, e a critica. Cada qual póde fazer o que quizer, e viver como quizer. Respeita-se a ignorancia e o vicio: respeita-se tudo.”

O Mundo Elegante (1)

MUNDO ELEGANTE (O)

O Mundo Elegante será o mundo patarata?
Suspeita daninha que entra a enguiçar-me logo no principio!
O mundo elegante e a sociedade polida, lustrosa, envernizada no corpo e no pensamento, na ação e na palavra, na intenção e na obra.
Patarata quer dizer ostentação vã.
Elegância quer dizer escolha.
Poderão emparceirar-se as duas coisas num mesmo individuo, numa mesma classe?

E onde bate o ponto.

[...]

Falta saber que este jornal abomina a ciência. Aqui só se escrevem coisas que o leitor pode esquecer uma hora depois, com tranquila consciência de que não perdeu coisa alguma. Abjura-se também a sátira, e a crítica. Cada qual pode fazer-se o que quiser, e viver como quiser. Respeita-se a ignorância e o vício: respeita‑se tudo.

 

Camilo Castelo Branco
na introdução do número inicial d’O Mundo Elegante – Periódico Semanal de Modas, Literatura, Teatro, Belas-Artes (1858-1859)

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