A cerimónia de entrega do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2008 vai decorrer amanhã, às 16:00 horas, no Centro de Estudos Camilianos, em Vila Nova de Famalicão.
A escritora Teresa Veiga foi distinguida com aquele prémio de 5 mil euros pela obra «Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín», editada pela Cotovia, segundo o divulgado em comunicado.
O Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco é promovido pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), contando com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
O júri que distinguiu Teresa Veiga foi composto por Clara Rocha, Fernando J. B. Martinho e Liberto Cruz.
Nascida a 24 de Março em Lisboa, Teresa Veiga – de quem pouco se sabe, porque não dá entrevistas nem revela a sua verdadeira identidade – licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa em 1968, especializou-se e exerceu, entre 1975 e 1983, o cargo de conservadora do registo civil nos arredores da capital.
“Sendo assim, com a consciência de não ter nada a perder, decidi ocupar o tempo que me resta a escrever o que o marquês deliberadamente ocultou por não ser risonho, nem belo, nem refinadamente erótico, nem suavemente melancólico, nem tocado pela magia desculpabilizadora do exotismo. Talvez isto confirme a sua convicção de que o marquês, apanhado na vertigem de tantos amores desencontrados, teve algumas vezes de sacrificar ao diabo, sem deixar de ser um católico devoto. “O diabo — escreveu ele — foi sempre um ser superior.” Será que esta frase deve ser lida como um mero dito espirituoso? Àqueles que se indignarem por eu forçar a entrada no edifício acabado das suas Memórias, atrevo-me a sugerir que estas páginas sejam lidas como um apêndice descartável da sua obra, talvez desagradável como a bula que acompanha o remédio, a qual na maior parte dos casos abala a nossa confiança, gera angústia, faz recear perigos insuspeitados, mas cuja ignorância não aproveita a ninguém. Veremos se terei forças para ir até ao fim mas entretanto quero reviver o passado, voltar ao dia em que o conheci, o meu amante fugaz, o místico libidinoso, o senhor marquês de Bradomín.”
Teresa Veiga, in Uma aventura secreta do marquês de Bradomín






