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Posts Tagged ‘Comunidade de Leitores’

Não obstante, os famintos de romances com recheio de sucosas cabidelas insistem que o romancista deve imolar ao agrado e contentamento da crítica o gosto destragado da maioria dos leitores. Pensam e aconselham discretamente. Eu por mim tenho querido contentá-los; e, se alguma vez o consegui, foi pontualmente nos livros que esperam no limbo das estantes dos editores a redenção do gosto fino, a segunda luz das inteligências esclarecidas. Por onde havemos de concluir que o escrever para a posteridade é um sacratíssimo dever tão-somente a uns bem sorteados da fortuna que têm segura a vida presente, e se esmeram em prolongar a futura pela eternidade fora até encontrar uma geração que lha perpetue no bronze da estátua. Bonito destino, quando os contemporâneos se não persuadem que o aparelho digestivo do escritor é de bronze também, e, como tal, descarecido da refeição das moléculas que dão calor vital ao sangue, ao músculo, à massa que forma os camarins do espírito, esta coisa chamada engenho. Engenho de bem escrever! Palavra oca de que ri galhofeiramente quem tiver um de fazer açúcar ou serrar madeira.”

 

Camilo Castelo Branco

In prefácio à 2ª edição “Doida do Candal”, 1867

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1 – Envolva os alunos. Tente perceber os gostos deles e faça-lhes sugestões de leitura. É importante que eles comecem a ler sobre assuntos que lhes despertem o interesse. Se tiver um estudante maluco por futebol, sugira-lhe que leia a biografia de Eusébio. Se tiver na turma uma jovem bastante romântica e sonhadora, sugira-lhe um romance sobre uma bela história de amor. O “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco” é um clássico que emociona qualquer um. 

2 – Sugira um livro que tenha dado um filme. Assim, eles já sabem do que está a falar. O “Great Gatsby”, com o Robert Redford é bastante interessante e transmite uma mensagem que pode suscitar um bom mote de discussão para uma aula. Depois de lerem o livro, leve o DVD e ponha-os a ver o filme. Faça-os falar. Eles que emitam a sua opinião sobre livro e filme e as diferenças que viram entre um e outro. Se, por acaso, algum dos seus alunos disser que preferiu o livro é bom sinal. Pode estar diante de um futuro amante da leitura.

3 – Apresente-os às livrarias e bibliotecas. Leve-os a sentir o cheiro dos livros, das encadernações e das letras que os compõem. Podem ser tão viciantes como um cigarro. Uma vez adeptos de uma biblioteca, não a largam. Será exactamente como aconteceu consigo. Lembra-se?

4 – Elogie e recompense. A recompensa pode até passar apenas pelo elogio. Só o facto de estar a reconhecê-los já é um grande estímulo. Fale-lhes do que aprendeu com os livros e de como as suas histórias o fizeram viajar pela imaginação.

5 – Sugira-lhes que leiam revistas e livros aos quadradinhos. Aprendemos com tudo – mesmo com a dita literatura menor. Se um dos seus alunos for fã das bandas desenhadas do Walt Disney, elogie o gosto deles e apresente-o ao seu ídolo. Se for o Super Homem, que seja… Ele vai deixar de se sentir constrangido por ser louco pelo Tio Patinhas. Os miúdos de 15 anos, às vezes, já se acham muito crescidos para ler certas coisas. Afinal, já leram o “Amor de Perdição”, certo?

6 – Ofereça estímulos. Por exemplo, dê-lhes mais 5 minutos de intervalo para o recreio. Mesmo que já estejam no 10º ano, vão gostar de tamanha generosidade. A palavra de ordem é recompensar. Só pressão não leva a lado nenhum.

Fonte: i.Sabe

 

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Camilo Castelo Branco

Em Camilo sempre me impressionou a sua capacidade de efabulação, o poderoso domínio da língua e o conhecimento que demonstrava ter dos grandes vultos da literatura do seu tempo, desde Eugène Sue, de quem foi largamente tributário, até ao Balzac da “Comédia Humana”.

Confesso que por vezes senti em relação ao escritor de S. Miguel de Ceide uma espécie de admiração envergonhada. Eça era sempre o Eça, mesmo com prosas bárbaras e histórias de santinhos milagreiros; Júlio Dinis, via-o como um astro desintegrado antes de chegar ao zénite; Garrett e Herculano, pais do nosso Romantismo, firmavam-se-me como combatentes da liberdade, exumadores da História e dos vínculos da nacionalidade portuguesa. Camilo, porém, o que era?

Em Agosto de 2009 e Maio de 2010 estive na Casa de Camilo em S. Miguel de Ceide. Talvez, dito de outra maneira, na casa do comerciante Manuel Pinheiro Alves, marido de D. Ana Plácido, mulher que pagou na Cadeia da Relação do Porto, tal como Camilo, o crime de adultério, intolerável à luz da moral burguesa do século. Um pouco antes, tinha lido “Camilo Broca” de Mário Cláudio e folheado “O Penitente” de Teixeira de Pascoaes, textos biográficos sobre o escritor de “Amor de Perdição”. Pela mesma altura, meti-me em “Eusébio Macário” e “A Corja”, novelas em que o ultra-romântico imita o estilo da nova escola realista de Eça de Queiroz. Escritos e publicados estes livros, parece que terá dito, em jeito de gozo, algo de parecido com o seguinte: “É tão fácil escrever neste estilo, que até eu consegui”.

Nestas últimas semanas, voltei ao convívio camiliano. Na Comunidade de Leitores de S. Domingos de Rana lê-se “Fanny Owen” de Agustina Bessa-Luís, drama vivido pelo novelista num triângulo amoroso que Manuel de Oliveira levou para o cinema com o título de “Francisca”. Em “Duas Horas de Leitura” e, sobretudo, em “No Bom Jesus do Monte”, Camilo explica-se, mas não convence. Pequenas não deverão ter sido as suas responsabilidades no desfecho da história de amor entre Francisca Owen e José Augusto Pinto de Magalhães.

Entretanto, por outras válidas razões, vieram-me às mãos os dois primeiros romances da trilogia camiliana a que Alexandre Cabral chamou o Ciclo da Felicidade: “Onde Está a Felicidade?”, que teve o acolhimento entusiástico de Herculano, e “Um Homem de Brios”. Deixei para outras núpcias o terceiro livro, “Memórias de Guilherme do Amaral”. Esta série romanesca, com laivos autobiográficos, é escrita em plena fase da sua maturidade literária. O escritor está no auge da criação, é uma figura reconhecida que publica nos jornais e edita em livro.

Conhecedor da literatura europeia, em especial da francesa, Camilo foi um homem que não viajou fora do país, assim como não viajaram José Régio e Fernando Pessoa (embora este tenha passado parte da infância e a adolescência na África do Sul). Além das fronteiras de Portugal, conheceu apenas, e por mero acaso, os caminhos entre Vigo e a província do Minho, quando, por morte do pai, deixou Lisboa para ser entregue a familiares de Vila Real e o vapor em que viajava, não conseguindo vencer o mau tempo à entrada da barra do Douro, teve que ir aportar àquela cidade da Galiza. Era menino e não mais voltou a sair de Portugal.

Temos então um homem que não viajou, que não fez estudos superiores, e que, no amor, raptou, traiu e abandonou as suas amadas; um homem que sovou e foi sovado, que conviveu com criminosos e de tal deixou testemunho nas suas “Memórias do Cárcere”; um diabo de língua e pena afiadas, vituperador da burguesia, do império do dinheiro e dos barões feitos à pressa, mas que não enjeitou o título que lhe foi concedido de visconde de Correia Botelho, nome ancestral da sua família; em suma, um homem múltiplo, estranho e complexo, um feixe de paixões e sentimentos imoderados.

Uma peixeira da Póvoa de Varzim, praia onde costumava estanciar por causa de maleitas que o afligiam, ter-lhe-á chamado, devido às bexigas que lhe desfeavam o rosto, “cara de areia mijada”. Como a peixeira não era a princesa Rattazzi, o novelista engoliu em seco e não foi capaz de responder. Estava habituado a demolir com a sua verve a prosápia dos ricos e dos poderosos, não sabia dirigir palavras más a uma mulher do povo.

Manuel José Matos Nunes

In Blogue Disperso Escrevedor

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A Comunidade de Leitores de Camilo Castelo Branco fotografada pela Lucília Ramos:

http://www.slide.com/r/_jd2YXfm4z-KfcTi1zg_BCxnO2qn7uSy?previous_view=lt_embedded_url

Camilo Castelo Branco é um escritor apaixonado da vida, apesar do seu fim trágico. Camilo deu um tiro na cabeça e a sua existência terminou. Não deixou que a doença tomasse conta de si, apesar da cegueira de que foi vítima, limitasse o seu trabalho. A palavra, não tinha segredos para o escritor. A palavra era a arma que tão bem dominava. O escritor, que fazia depender a sua existência da produção literária, isto no século XIX , numa altura em que a leitura não era das primeiras necessidades das populações, escreveu desalmadamente. Era um operário da escrita.

Camilo escreveu coisas lindas e foi um homem do amor. Diz ele que o amor é o sangue mais apressado; que o amor acelera a circulação do sangue. Camilo tinha a sensibilidade adequada .e em doses certas para que a mulher sentisse o desejo das suas caricias, sempre impregnadas do calor humano em dose ideal, para que no silêncio, a mensagem de ternura pudesse surtir o efeito desejado.

Mas apesar de ser efectivamente uma pessoa dotada do conhecimento suficiente para bem utilizar as ferramentas da vida, Camilo teve nela algumas quebras, quer na sua actividade particular quer no aspecto amoroso, tendo comportamentos às vezes de ética duvidosa, que o desiludiram a si próprio, e que o levava a dizer, nesses momentos mais difíceis, “não gosto nada da pessoa que me estou a transformar..”

O escritor adorava as conversas com os habitantes locais da região de S. Miguel de Seide, onde habitava. Às tardes, quando as trindades batiam e as pessoas regressavam das lides do campo, não raro o escritor aparecia junto dessa população anónima mas sabedora, possuidora de um património enorme de experiências feitas,

A sua vida de escritor era difícil em termos da resolução de problemas correntes e passou pelas penosas quezílias domesticas às quais se habituou. E pela sofreguidão que sentia, sem saber de quê, pelas dificuldades de dinheiro. Mas soube sempre diminuir a distância que existirá sempre entre o que se deseja e a realidade…

Haverá coisa mais difícil do que ser feliz, costumava perguntar…A felicidade é um estado de espírito de curta duração, com que uns convivem melhor outros pior Apesar de felicidade não ter nada a ver com dinheiro, o escritor costumava dizer que aos ricos apenas se lhe depara um caminho para a conservação da sua fortuna: – Apoderarem-se do Estado.

O escritor deve ser com o farol no mar que nos indica a direcção a seguir. É ele que nos ajuda a moldar o carácter .E a ver as coisas boas da vida. E a ser solidário, tolerante e amigo.

SOUSA FARIAS (http://pt.shvoong.com/writers/sousafarias/)
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/1757969-novelas-minho/

Fonte: blogue Noites de insónia

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Hoje na Casa de Camilo, às 21h30 a Comunidade de Leitores de Camilo Castelo Branco estará aberta para quem quiser passar uma noite de insónia!

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Convite para participação

Noites de insónia

Comunidade de leitores de Camilo Castelo Branco

30 Abril | 21h30


As Noites de Insónia têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.

Objectivos

Pretende-se que um pequeno grupo de leitores, cruze ideias acerca dos livros de Camilo e exponha outras sugestões.

A Comunidade de Leitores pretende ser um grupo de pessoas que partilhará informação sobre a vida e a obra de Camilo Castelo Branco, podendo assim alargar os seus conhecimentos.

Monitor | José Cândido Martins (Faculdade de Filosofia de Braga)
Inscrições | Casa de Camilo
Telefone | 252 309 750
Email | geral@camilocastelobranco.org

(Número máximo de inscrições: 20 pessoas)

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