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2nova edição Sistema Solar – da obra traduzida por Camilo Castelo Branco

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Leilão camiliano

A edição original de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, é um dos dois mil títulos da biblioteca particular de José de Sá Monteiro de Frias que vai a leilão na Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, entre os dias 28 de Março e 2 de Abril.

Vão ser vendidos ainda outros exemplares raros, como a primeira edição de Horas de Luta, com uma tiragem limitada a 32 cópias; Mundo Elegante, periódico no qual o escritor colaborou,   ou ainda A Infanta Capelista, obra que Camilo aceitou mandar destruir, a pedido do Imperador de Brasil, D. Pedro II.

A leilão vão ainda A grinalda, periódico fundado no último quartel do século XIX por Nogueira de Lima, proprietário de uma ourivesaria da rua das Flores que funcionava como um autêntico centro literário, e a edição, hoje limitada a cinco exemplares, de “Pundonores desagravados”», por terem sido destruídos os restantes pelo próprio editor.

O catálogo da Biblioteca está disponível para download no site www.livrariaferreira.pt

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Novidade editorial

Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

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Editora Difel

Este romance, ou novela, como pretendem alguns, tem um traço shakespeareano, e é o livro mais traduzido do escritor, tendo sido, também, adaptado ao cinema por várias vezes. Escrito na prisão, em 15 dias, assinala a fase de plena maturidade artística de Camilo Castelo Branco. Duas famílias nobres, os Botelho e os Albuquerque, vêem o ódio mútuo ameaçado pelo amor entre Simão Botelho e Mariana Albuquerque. Simão é um herói romântico, cujos erros passados são redimidos pelo amor; Teresa, uma heroína firme e resoluta em seu sentimento de devoção ao amado. O amor entre estes dois jovens, um amor puro, é contrariado pelo mundo exterior, o hipócrita mundo dos adultos. Essa será a causa da perdição dos amantes, ele como assassino, por amor dela, e ela tuberculosa, por amor dele. A morte de ambos arrasta também a de Mariana, apaixonada por Simão, a mais romântica das personagens, e que procura a morte por não querer sobreviver à morte do amado.

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa, a 16 de Março de 1825, tendo sido registado como filho incógnito. A morte do pai obrigou-o a ir viver para Trás-os-Montes. Suicidou-se a 1 de Junho de 1890, na freguesia de Ceide, Vila Nova de Famalicão. A extensíssima bibliografia camiliana reflecte a vivência de um profissional das letras cujas paixões e vicissitudes da vida servirão de mote para os enredos das suas produções literárias, para a sua evolução. Na sua escrita estão presentes profundas contradições, oscilantes entre o idealismo e o materialismo. A nível de corrente literária, integra-se no Ultra-Romantismo, não deixando, por isso, e logo desde o início da carreira,  de ter um certo pendor realista. Homem multifacetado, que escreve para sobreviver, tendo utilizado vários pseudónimos ao longo da sua carreira, deixou uma obra que o posicionou como uma das figuras mais eminentes da literatura portuguesa sendo, mesmo, considerado por alguns como o primeiro romancista da Península.

Fonte: blogue Novidades Editoriais

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Esta nova edição de O Morgado de Fafe em Lisboa é precedida por uma introdução crítica de Cândido Oliveira Martins. Nesse estudo, contextualiza-se a relevância e o significado da escrita teatral de Camilo e da sua vocação dramática. Salienta-se a variedade dos títulos publicados neste domínio e a sua temática dominante, com este enquadramento:
A gigantesca obra ficcional de Camilo Castelo Branco (1825-1890), que a si próprio se qualificava como “operário das letras”, tem injustamente obscurecido outros géneros da escrita deste incansável polígrafo, como é o caso da sua produção dramatúrgica. Autores há que são vítimas quer da sua própria grandeza, quer também da sinuosa e restritiva recepção crítica. [da Introdução crítica]
Ao mesmo tempo, historia-se e justifica-se a popularidade desta comédia de Camilo, através da análise de alguns dos seus processos em matéria de composição teatral e temática, linguística e estilística:
O Morgado de Fafe em Lisboa (1861) é uma admirável farsa camiliana, que se notabilizou, ao longo do tempo, pelo efeito cómico e corrosivo com que investe contra certos ideais, tipos humanos e ambientes característicos do Portugal ultra-romântico de meados do séc. XIX. A graça mordente da sua sátira reside nessa capacidade de anatomia cruel da sociedade burguesa da Regeneração. [da Introdução crítica]
Finalmente, analisa-se o significado estético desta farsa camiliana como invectiva contra certa sociedade e literatura ultra-românticas. Esse mundo enfatuado e piegas, cheio de convenções e etiquetas, dado a uma literatura sentimental e lacrimosa, é objecto de alegre desmistificação paródica e satírica.
Para isso, Camilo opta pela inesquecível figura cómica de um rústico morgado minhoto, de seu nome António dos Amarais Tinoco Albergaria e Valadares. Convidado para um salão lisboeta, ele fala com simplicidade e sem artificiosismos, fazendo assim estalar o falso verniz do “mundo patarata” e das frivolidades janotas da burguesia urbana da capital. A franca ruralidade do morgado choca, de modo frontal e cómico, com a pedanteria e a literatice da atmosfera ultra-romântica do tempo.
O estabelecimento do texto desta edição é feito a partir da 2ª edição de O Morgado de Fafe em Lisboa [1865], saída em vida do escritor, em cotejo com a 1ª edição [1861]. A presente edição é ainda enriquecida por abundantes notas explicativas da linguagem camiliana; e ainda por uma bibliografia crítica.
Inaugurando uma nova colecção de teatro da editora Opera Omnia, o grande objectivo é captar novos públicos para a leitura de autores clássicos como Camilo Castelo Branco. Dentro do espírito do Plano Nacional de Leitura, pretende-se seduzir variadas camadas de leitores, quer através da leitura do texto editado, quer através da representação da peça.
O responsável por esta edição de O Morgado de Fafe em Lisboa já anteriormente organizou outras edições de Camilo: Eusébio Macário / A Corja (Porto, Caixotim, 2003); e Novelas do Minho (Porto, Caixotim, 2006); também publicou uma obra didáctica intitulada Para uma Leitura de “Maria Moisés” de Camilo Castelo Branco (Lisboa, Presença, 1997).

Fonte blogue Opera Omnia

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A obra poética de Camilo já estava editada nas Obras Completas da Lello, publicadas sob a direcção de Justino Mendes de Almeida. Surge agora uma bela edição da poesia do autor de ‘Amor de Perdição’. Alguma datada, sentimentalista, outra reveladora de um belíssimo sonetista.
É uma antologia do Camilo poeta – a sua área menos estudada – que Ernesto Rodrigues acaba de organizar com o apoio do Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa da Universidade de Lisboa (Fundação para a Ciência e Tecnologia). Mais completa do que as de Manuel Simões (a do poeta religioso) e de José Viale Moutinho (que não chega a ser antológica), este volume tem a utilidade de dar a conhecer uma faceta mais desconhecida do autor, cuja obra Justino Mendes de Almeida editou, na totalidade, pela mão da Lello & Irmão.
Camilo começa e fecha a obra com a poesia. Estreia-se, em 1845, com Os Pundonores Desagravados; O Juízo Final e O Sonho do Inferno (inspirado na Divina Comédia) e encerra com Nas Trevas (1890), onde se encontram alguns dos seus melhores sonetos.
“Não é de desprezar esta faceta de um autor que abre e fecha o seu caminho literário com a poesia”, diz o professor Ernesto Rodrigues, acrescentando que, “com esta, o escritor constrói uma espécie de narrativa, de épica.” Ou seja, toda a galeria de figuras que entram na ficção são esboçadas na poesia, sendo que o seu vocabulário é do mais copioso que existe.
Na opinião de Justino Mendes de Almeida, “os seus giros de locução, as suas cadências de frase, as suas formas sintáxicas, o equilíbrio e o ritmo da sua prosa têm a fluência, a harmonia e a limpidez literária das obras magistrais.” Na poesia, versos de lamento, desespero, excessivos e amortalhados, correctos, cabem ao lado da produção contemporânea ultra-romântica. Lembre-se imagens trágicas como a do coração “sepulcro vivo de dois filhos mortos”, na morte quase simultânea de dois filhos únicos de Teófilo Braga (A Maior Dor Humana), ou o poema Jorge quot ; Meu triste filho, passas vagabundo/Por sobre um grande mar calmo, profundo,/ /Sem bússola, sem norte e sem farol!”(ambos in Nas Trevas, 1887)
Na realidade, diz Ernesto Rodrigues, “a prosa vive saturada de verso” e a poesia antecipa a ficção: “Se buscamos Camilo enquanto poeta, exige-se conhecê-lo como crítico, depoente, prefaciador, antologiador, intertextualizado, leitor, em suma, dos outros, e de si mesmo, na extensão do possuidor de uma biblioteca de poesia, real e imaginária.”
Na opinião do ensaísta, “face ao ficcionista o poeta perde, mas era um belíssimo sonetista com poema raros no plano da épica paródica.” Entre esses momentos, comenta, “era criador de uma poesia sentimental hoje ultrapassada.”

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